sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Carta ao Sentimento de Culpa

Caro sentimento de culpa,

Como você tem aparecido por aqui com tanta frequência, resolvi te enviar esta carta pra esclarecer essas suas repentinas aparições.
Primeiro não sei como deveria chamá-lo. Seria de "caro", ou "querido" e talvez "necessário", quando na verdade gostaria de chamar de "seu sentimentinho filha da puta".
Você aparece nas horas mais impróprias e sempre sem ser convidado! Pode ser por um dia em que acordamos tarde (leia-se depois do meio dia) e não fizemos absolutamente nada. Pela barra de chocolate devorada até a última ponta. Ou então por aqueles momentos que não passamos com as amigas pra aproveitar o namorado. E ainda, quando você surge naquele almoço de domingo, porque não temos um namorado enquanto todas as nossas primas o tem e te olham com cara de pena.
O pior sobre você, na minha opnião, não é o simples fato da sua existência, e sim suas conseqüências. Por sentir-se culpada uma mulher pode fazer as coisas mais idiotas. Coisas essas que, não fosse a sua presença, ó famigerado sentimento, nunca faria.
Por estar na sua compania, a gente pode acabar sem ter coragem de se dar ao luxo de não fazer nada durante um dia, sendo engolida pelos milhões de coisas que temos pra fazer em todos os outros.
Podemos passar a contar as calorias de todas as coisas que comemos, mesmo sem saber se as informações das embalagens são fiéis à realidade.
A gente pode ainda passar a se sentir mal toda a vez que está com as amigas, pois deixou o namorado a Deus dará, e sentir-se uma traidora toda a vez que está com o namorado, pois a vida das parceiras continua apesar da nossa ausência.
Pior (essa é muito grave), corremos o risco de começar a namorar qualquer babaca por aí, já que sentir-se culpada por ser encalhada não é um sentimento muito agradável de se ter aos 23.
Pra finalizar, vou direto ao ponto.
Você tem estado em minha compania esses dias por dois motivos:

1 - O Primeiro foi um pequeno deslize...Tá, foi um grande deslize...Que envolveu meu anjo da guarda, vodka (muita!), um parachoque arrebentado, e um carro que não é meu . Não necessariamente nessa mesma ordem. Sua presença me fez pensar muito, tenho que reconhecer, e a conclusão a que cheguei é que não adianta ter você por perto! O que está feito está feito (por pior que tenha sido a cagada). E o que me resta é só pagar a funilaria. Bola pra frente! Mas dessa vez eu vou a pé e sem tanto goró.

2- O Segundo ponto é deveras mais complicado. Você veio me cutucar esses dias por causa de um coração partido. Que não era o meu. Veio me dizer que estava de volta já que eu não sentia a mesma coisa por aquela pessoa. Me lembrou sobre as minhas responsabilidades, e deu uma de raposa do pequeno príncipe:"...tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"...e blá, blá, blá.
Olha aqui seu sentimentinho desocupado, se eu tenho que me sentir responsável pela dor de cotovelo alheia quem o fará pela minha? E, afinal de contas, se tem alguém no mundo que gosta de mim, a última coisa que eu vou sentir em relação a isso, é culpa.

Portanto isso foi um Adeus, e NÃO um até-logo!
A carta vai em meu nome, mas as minas da república dão o maior apoio, então também não precisa aparecer por aqui tão cedo!

Sol

3 comentários:

Ana disse...

Que legal que nós inspiramos você! Se bem que eu acho que a gente nem tem competência e nem referências pra isso! Ahahahahaha. Seu blog é muito legal! e infelizmente (ou felizmente), pelos posts que li, eu tenho uma notícia pra você: sua vida não vai estar muito diferente quando você estiver com "quase 30". A não ser talvez, pela capacidade de ingestão alcoólica, que gerealmente aumenta com o tempo! Bjs.

Ana Paula disse...

Ah, vou lincar você no só dói já já, tá? bjs

Sol disse...

opa
lincada no só dói!?
Fico lisonjeada!!!!
hehehehehehe