quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pequeno guia prático do banho do recém nascido

... Ou o surgimento do Abominável




Apesar do Ervilho ter sido um ser aquático durante meses, a simples idéia de enfiá-lo todo molinho em uma banheira e com a outra mão ensaboar e enxaguar seu corpinho me deixava de cú na mão.
Ok, no hospital eles ensinam o banho técnico, e vc assiste tudo enquanto sua màe tira fotos, sua sogra da palpites e o Big anota o passo a passo numa cadernetinha porque é aplicado pra caralho. Mas em casa minha gente, tudo é diferente...

Você está a dias sem pentear o cabelo, dormiu menos de 4 horas durante a noite e tem alucinações com o choro do bebê (sabe aquela sensação muito real de que está ouvindo o toque do seu celular, fica horas procurando ele na bolsa e quando encontra vê que ninguém te ligou e conclui que tomou cerveja demais? É tipo isso, só que com chorinho de bebê e sem (infelizmente) a parte da cerveja).

Entre um mamada, uma fralda de cocô e uma soneca, tem a hora de tomar banho, que geralmente é meio dia porque mãe é tudo igual e nenhuma quer que o bebê pegue um resfriado. Então você adia o seu almoço, depois de já ter adiado o café da manhã porque era hora de dar de mamar, e começa o ritual:

1. Separar os apetrechos do banho: Banheira, sabonete, toalha, fralda, roupa que vai colocar, termometro, pomada pra assaduras, toda a coragem que deus lhe deu e se fosse possível mais 4 braços.
Enquanto isso, o Theo está no berço olhando importante para o móbile que ganhou do Tio Pedro, solta até gritinhos de alegria.

2. Encher a banheira com água na temperatura ideal. Tava frio então liguei o chuveiro quente. Botei a banheira no chão do box e comecei a encher. Banheira cheia, coloquei no suporte com meu muque materno e meti o termômetro na água. Quente demais. Joguei água fria, esperei um pouco. Termômetro outra vez. Ainda quente. Fui na cozinha buscar uma jarra pra por mais água fria. Passei pelo quarto do Theo onde ele já se desentendia com a girafa do móbile. Meti mais água fria. Ficou muito frio. Caralho! Coloquei mais água quente e desisti do termômetro, resolvi medir a tempêratura no estilo old scool, com o pulso mesmo.

3. É chegada a hora da verdade. Tirar a roupa do bebê e começar o banho! Cheguei no berço onde o Theo já tentava esganar a pobre girafa indefesa com as próprias mãos, segurei ele bem pertinho de mim e ele parou de chorar na hora! Mega fofo. Tirei a roupinha dele e fui recaputalando o passo-a-passo da aula de banho da maternidade (cadê a caderneta do Big???): Enrolar o bebê pelado na toalha; lavar primeiro a carinha e a cabeça, secar tudo; Meter ele na água e rezar para que você tenha sangue frio e coordenação suficientes para segurar um reçem nascido com uma mão enquanto com a outra aperta o frasco do sabonete líquido!

4. Enrolei o Theo na toalha e ele não estava gostando nada da idéia, pois apesar de ser recém-nascido ele não nasceu ontem e tava irritado com os bracinhos imobilizados. Começou a gritaria! Depois que eu lavei a cara e a cabeça dele tudo parecia ir muito mal! Ele se esguelava, se debatia, tinha um negócio muito errado... Caralho, quando é que vão inventar um leitor de mentes de Bebês?

5. Desenrolei o bebê. Ele chacoalhava as mãozinhas e as perninhas enquanto eu me sentia a criatura mais incompetente da face da Terra. Peguei ele peladinho, dei uma chacoalhada e cantei a música preferida dele, que como bom Corinthianinho adora o Jorge da Capadócia do Jorge Ben. Ele se acalmou, todo grudadinho na mamãe. Coloquei ele na água quentinha e começaram as caretas esquisitas, sendo a mais famosa delas a cara de Zacarias... Tava fazendo careta mas tava quietinho! Tudo ia bem! Segurei ele com uma mão e fui pegar o sabonete com a outra quando aconteceu!!!

6. Não, eu não afoguei o Theo na banheira, ele não engoliu sabão e o termômetro da banheira não caiu na cabeça dele (e sim, eu morro de medo que tudo isso aconteça). O que ocorreu foi a primeira manifestação do alter ego do Ervilho, a saber: A abominável criatura do cocô!

O abominável é implacável
Seu cocô é poderoso
Se safar é impossível
Ele vai cagar de novo.

E com esse versinho todo jocoso, fui derrotada pelo Abominável que se cagou (literalmente) de rir da minha cara, enquanto eu dava pulinhos e gritinhos segurando um bebê em meio a água quentinha cheia de cocô.

Ps: Tirei ele da banheira e pus na toalha, onde o Abominável fez MAIS cocô E xixi.
Ps2: Tive que começar tudo de novo. Mas depois que tirei a água cagada, mandei o termômetro e o roteiro do banho técnico à merda!
Ps3: O Theo adora banho, e só deixou o Abominável se manifestar uma vez. Tudo indica que foi a vingança contra o episódio da Vacina. Aqui se faz, aqui se paga...

Esse post é uma homenagem às queridas amigas Tia Baranga, Karina e Vanessa, que estão tomando coragem para terem seus ervilhos próprios. Gente, o Theo cagou na banheira e eu não tive nojo em momento algum! A única preocupação era que o  cocô da água contaminasse o umbigo-cotoco dele! coisa de mãe...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Meu relato de Parto!!!

... ou, A verdade sobre a amnesia neonatal!



O início das contrações

Era sábado a noite, e sábado a noite aqui em casa é a hora sagrada da pizza! Enquanto eu apoiava o prato de pizza no barrigão de nove meses senti a primeira dor. A barriga embaixo do prato de pizza ficou dura. De um jeito muito esquisito e inexplicável (juro eu morria de ódio quando ouvia outras grávidas falando essa mesma frase), eu sabia, tinha chegado a hora do Ervilho nascer. Minha mãe, Big e Little Big foram avisados da eminência do parto.

...enquanto isso, no ap do ervilho...

Ok. O barato já tava bem loco pro meu lado aqui dentro! To de ponta cabeça a dois meses, esse apto tá ficando cada vez menor pra mim, eu mal consigo mexer meus braços, a cabeça então, nem se fala. Encaixou igual rolha num lugar aqui e não sai nem com reza brava. Pra completar a desgraça, as paredes do apê agora estão se voltando contra mim... Vou entrar pro Minha casa Minha vida do Lula e financiar um apê novo pela Caixa.

A bolsa Rota

Fui deitar (porque dormir minha gente, com aquela barriga tava mega foda). Acordei umas 3 vezes sentindo dor. O Big pulou cedo da cama e foi fazer faxina (Juro!!! Teve um negócio que chama "instinto de aninhar", geralmente quem tem isso é a mãe, mas eu tava muito ocupada sentindo dor). Acordei e resolvi tomar um banho, depois de uns 2 minutos em pé mijei na calça.
Opa! Perai! Mijar na calça tá meio fora de contexto. Olhei pro chão e vi a água. Mas e aí, 'ó dúvida cruel, será xixi ou líquido amniótico??? Ok a dúvida pode parecer bem idiota pra quem nunca ficou grávida, mas believe me, no final meu bem, com um bebê de quase 4 kilos com a bunda apoiada na sua bexiga, vc mija e nem sente (cadê o glamour galera?), por isso eu tive que me expor ao ridículo e realizar a análise clínica da poça (ser mãe é se transformar num laboratório de análises clínicas ambulante).
Depois de observar atentamente que a poça não tinha cor, que o cheiro não era de xixi e de descobrir que a história do cheiro de água sanitária é invenção tive certeza, era hora de ir pro hospital!

...enquanto isso, no ap do ervilho...

Vazamento!!! Vazamento!!! Cadê o síndico desse estabelecimento??? Vai dar infiltração no apto debaixo e eu vou ter que pagar a reforma. Hoje não é meu dia de sorte

A ida para a maternidade

Enquanto o Big enfiava malas, cadeirinha, lembrancinhas, documentos, Little Big, meu pai e minha mãe dentro do carro, eu só pensava em comer, vai saber que horas eu ia poder comer de novo né não? Barriga cheia, fomos todos felizes e contentes para o carro a caminho da maternidade. O Big gargalhando de nervoso, Litle Big achando que eu ia parir no carro em movimento, minha mãe na mais perfeita calma enfermeiral que só enfermeiras possuem na presença de uma grávida tendo contrações, e meu pai que parecia sentir mais a dor do parto do que eu. Chegamos na maternidade eu e minha ausência de glamour sentada numa toalha pra não "vazar"no sofá chick (Fica a dica: A partir das 37 semanas, ande com uma toalha no carro). Apesar de eu ter certeza de que o ervilho ia nascer, precisei ser examinada e fui pra sala de pré-parto (que consiste em um quarto de hospital no qual você sente contrações durante horas, o pai do bebê fica nervoso em progressão geométrica, mas assiste o jogo do Corinthians, a obstetra entra de tempos em tempos, comenta com o pai que o Ronaldo está gordo bagarai, ignorando a sua cara de cólica menstrual elevado ao cubo e o irmão mais velho acha que o bebê vai nascer lá), comecei a tomar ocitocina.e as contrações"putaquepariuquedor" aumentavam a cada hora. Nesse momento me deu um estalo! Meu filho ia nascer e me ver naquele estado, descabelada e totalmente desprovida de glamour???? Claaaro que não! Me levantei e fui pro banheiro com a minha necessáire de maquiagem a fim de glamourizar um pouquinho a minha pessoa que trajava uma zequicí camisola verde-hospital com uma fenda traseira deixando a bunda à mostra, e como acessório, um suporte para soro devidamente ligado à veia no braço esquerdo. Eu tava na merda mas ia parir de rímel, blush e gloss.

... enquanto isso, no ap do ervilho...

Pronto, fudeu! Descobriram que o vazamento vem daqui e vão me despejar.

A fase expulsiva

Depois de 12 horas eu não tava mais achando graça nenhuma em sentir dor. Me serviram um café da tarde depois de muita insistência. Enquanto eu devorava vorazmente as torradinhas do hospital, vi o Big roubar um saquinho de bolacha e nós quase tivemos uma DR (Fica a Dica: Parir da fome! Providencie um lanchinho clandestino ou contente-se com a comida de hospital). Fui (finalmente) pra sala de parto e foi lá que o bixo pegou. Entrei na banheira pra "dar uma relaxada" (juro, a hora que a enfermeira me falou pra relaxar eu quase levei pro lado pessoal e parti pra agressão física. Quem relaxa com 5cm de dilatação?), tive que fazer pose e sorrir pro Big tirar fotos. Isso é que é amor. Vocês vão me perguntar se dói muito, sim dói, e se não fosse o anestesista eu ia ter subornado o time de enfermeiras pra me fazerem uma cesariana, mãsssss, Deus abençoe o Sr. Peridural, inventor da anestesia que me proporcionou a sensação mais esquisita da minha vida: fazer força sem sentir músculo nenhum da cintura pra baixo.
Fiz muita força, não dá pra explicar o quanto, mas cada célula do meu corpo existia pra isso: fazer meu filho nascer!

... enquanto isso, no ap do ervilho...

Opa! Chegou o rápa! Tão me botando pra fora! Meeedoooo, quero minha mãe...

O Nascimento

A obstetra me avisou, era a última oportunidade que eu tinha de fazer força, se o Theo não nascesse ia ter que fazer uma cesárea. Faz me rir! 14 horas depois e ia ter que fazer uma cesárea??? Respirei fundo e senti, o Theo ia nascer. Big chorava, eu ria, gargalhava. O Theo não chorou assim que saiu, foram os 5 segundos mais longos da minha vida, depois de ser atendido pela pediatra eu ouvi meu filho chorar pela primeira vez, e soube que minha vida tinha mudado pra sempre... Meu pai ligava pro Big de 2 em 2 minutos, ameaçando invadir o centro obstétrico pra tirar sastifação com a médica, e Litle Big já quase chorava de nervoso no saguão do hospital.

... enquanto isso, ervilho pensa...

Gente, que que é isso? Cadê minha água quentinha? Tá frio pra caramba aqui fora, minha cabeça dói. Me enrolaram num pano esquisito e meteram uma toquinha de gnomo na minha cabeça! Cacete, fui preso e estou sendo torturado, só pode ser, enfiaram um tubo na minha garganta! Se eu pego essa enfermeira desapercebida... Tão me levando pra outro lugar... Opa! Eu conheço essa voz... Mas num to enxergando nada, que cheirinho bom! To começando a gostar... Peraí, me tiraram do colo gostoso, tão me levando pra outro lugar, quanta luz... Opa! Tão pingando um negócio no meu olho! Ahhhhhhhh ardeu! To tentando entender o que eu fiz pra merecer tudo isso. Quero voltar pro meu ap.

Chegando no quarto da maternidade

Quando o Theo nasceu levaram ele pro meu colo só um pouquinho e já tiveram que colocar ele no oxigênio. Se eu cansei nessas 14 horas, tendo conciência de tudo que acontecia, calcule o Ervilho que nem sabia o que se passava! Estava só o pó, tadinho. Depois pingaram o nitrato de prata no olinho dele, arde pra caramba mas todo bebê que nasce recebe o colírio, pra evitar infecções. Ele foi ficar em observação no berçário central e eu fui pro quarto. Queria levantar mas fui proibida pela enfermeira. Queria ver o Theo de novo, mas ele estava em observação. Queria dormir mas não conseguia pregar o olho! Big deitou no sofá e não parava de repetir que estava impressionado com a minha força na hora de parir. Eu também estava. As 4 da manhã o Theo chegou, com a cabecinha pontuda e morrendo de fome. Sentei na cama exausta e amamentei pela primeira vez o meu filho. Agora eu sei porque tenho tanto peito, pra ser restaurante de Ervilho, com muito orgulho.

...enquanto isso, no berçário central...

To enxergando nada, que covardia! Aposto que é pra eu não reconhecer meus torturadores. E agora, que que eu faço? Choro né! Perai, tem mais gente aqui chorando... Drepois de muito insistir consegui trocar uma idéia com a Joana, que está no berço do meu lado esquerdo, também não enxerga mais porra nenhuma e tem certeza que fomos abduzidos por ovnis, já que ela diz que um laser rasgou a parede do ap dela. Do meu lado direito estão Hélio e Heitor que estavam dividindo uma kit-net, também estão cegos e acham que tudo isso é uma conspiração dos EUA contra os bebês da América Latina. Pelo jeito ninguém sabe ao certo o que está acontecendo, mas ninguém tá gostando nada disso!
Depois de horas de Teoria da Conspiração com meus mais novos Brothers de berçário, chegou uma enfermeira (na verdade um ET segundo a Joana, e uma agente da CIA segundo Hélio e Heitor) me embrulhou numa coberta e me levou pro colinho gostoso. Senti o melhor cheiro do mundo e de repente, uma voz gostosa me perguntou se eu estava com fome e pá! Comecei a sugar! Agora sim! To no céu! Morri e fui pro céu... Que gostooosoooo mãe!

Indo pra casa

Depois de 3 dias de maternidade, tivemos alta. Colocamos o Theo na cadeirinha devidamente trajado numa roupinha fofa que tinha até rabinho. Assim que o carro andou ele dormiu. Mal chegamos em casa já nos preparamos pra leva-lo pra tomar vacina e eu nunca achei que uma agulha minúscula daquela fosse me causar tanto terror! Na medida que o enfermeiro enfiava devagarinho a agulha no Theo, as lágrimas rolavam sem que eu tivesse controle de mim! Ele chorou sentido, e a cada suspiro dele meu coração ficava mais pequenininho e tudo o que eu queria era tomar aquelas vacinas no lugar dele, pra que a dor viesse toda pra mim.

... enquanto isso, Ervilho diz...

Tava tudo tão bom, depois de momentos de terror achando que tinha sido abduzido ou torturado pelos yankes, eu e a turma do berçario do 1o andar descobrimos que na verdade a gente tinha nascido! E nascer é um negócio assim, meio aterrorizante mesmo, por isso que as nossas mãe nos dão de mamar, pra compensar todo o resto. Acho que agora tudo vai melhorar pra mim. Já me despejaram do meu ap, pingaram ácido no meu olho, me fizeram passar frio e fome, só que agora eu tenho a minha supermegacheirosaeapetitosa mamãe, e o meu grandefortecheirosocorajoso papai! ninguém mais vai tirar o cirme de creme! Rá! To indo pra nossa casa e a palhaçada acabou pro meu lado! Me despedi da galera do berçário e fui pra casa pensando: Até que tem uma lógica todo mundo cantar Parabéns pra você no dia do seu nascimento. Parabéns pra mim!!! Sou muito fodástico! Sobrevivi ao meu nascimento e agora é só correr pro abraço!

Ps: Depois desse rompante de otimismo, Theo foi surpreendido mais uma vez quando adentrou a sala de vacinação do posto de saúde e foi picado no braço e na coxa! Tinha sido traído, pois quem o segurou pra que o torturador o furasse foi sua própria supermegacheirosaeapetitosa mamãe! Enquanto seu grandefortecheirosocorajoso papai assistia tudo com lágrimas nos olhos.

E é por isso que os bebês não se lembram do seu próprio nascimento, pra não ter raiva do pai e da mãe pro resto da vida!

Ah, e pra que a gente não ter memória de fotos como a que ilustra esse post! 1o banho do Theo, ainda na maternidade, com direito a muita careta! Apresento a vocês o recém-nascido mais pop da blogsfera (e mais lindo também! Sem a mínima cara de joelho hahahahahah)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Theo Nasceu!

Dia 27 de setembro! Ele é lindo, nasceu com 3, 430Kg, 47cm e muita bochecha!

Juro que entre um cocô, uma mamada e um banho, aproveito uma soneca do meu neném pra contar tudo aqui no blog, até porque o nosso parto foi uma aventura! 14 horas de aventura pra ser mais específica...

Gente, sou mãe!

Oh god...