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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A mãe, a mulher, a empregada. E quem vai lavar o prato do miojo?

A cada 100 trabalhadoras no Brasil 17 são empregadas domésticas, somando ao todo um exército de 7 milhões de mulheres que lavam, passam, cozinham, cuidam de crianças, colocam água nas plantas, guardam roupas nas gavetas e decidem o que a família vai comer no almoço. Na casa dos outros.


Uma dessas casas dos outros é a minha casa. A Di está lá em casa a mais de um ano e se não fosse ela eu simplesmente não conseguiria dar conta do recado. Afinal de contas são 4 pessoas em casa, um bebê recém-desfraldado e uma criança de 10 anos que leva muito a sério o slogan da Ommo. Porque se sujar faz bem, ele gosta e costuma colocar as roupas de sair pra ir jogar bola (mas a Di não deixa ele passar nem da porta).

Di virou uma espécie de 007 lá em casa. Ela descobre onde estão todas as coisas de todas as pessoas de todo o Brasil toda a família. Faz o almoço todos os dias, lava e passa a nossa roupa, e joga air wick fresh matick (não é ótimo falar isso gente? Quase um mantra? Repitam comigo: air wick fresh matick) deixando a minha casa cheirosa. Ela também me conta quais amigos do Lucca falam palavrão e impede que ele execute idéias como subir em cima da cuba da pia do banheiro e colocar meio corpo pra fora da janela. Só pra olhar quem estava na piscina.

Quando eu chego em casa e o jantar já está pronto, é só esquentar; as roupas limpas e guardadas e a casa cheirando air wick fresh matick. E tudo que eu preciso fazer é limpar o xixi que o Theo acabou de fazer atrás da cortina, fazer mamadeira pra um, providenciar Yakult pro outro, convencer o outro de que jogar vídeo-game sentado na cama é melhor do que jogar vídeo game em pé no assento da cadeira; arrumar as malas de escola do dia seguinte; corrigir lição; colocar todo mundo pra tomar banho; convencer todo mundo a comer; tirar a mesa; ameaçar todo mundo de morte se não escovarem os dentes; colocar todo mundo pra dormir.

Daí que eu já ficava cansada o bastante com os meus afazeres em casa mesmo tendo a Di todo dia, e eu nunca imaginei o quão caótica minha vida ficaria se o elemento “Di” fosse subtraído da equação.

E então aconteceu. Numa segunda feira, sem maiores explicações, chueguei em casa e nada cheirava air wick fresh matick. Ela não tinha ido. Tentei ligar no celular dela e nada. Então coloquei um lencinho no cabelo, um avental e empunhei um espanador de penas de avestruz. .. Mentira. Eu praguejei até contra a quadragésima geração da Di porque né, não custa avisar galera. Resultado: Eu de terninho e havaianas lavando louça, roupa, fazendo comida enquanto o Theo corria atrás de mim pela casa pedindo colo.

No dia seguinte ela me ligou, estava em casa e disse que precisávamos conversar. Pronto. Acabou com o meu dia. Ela ia pedir demissão, eu tinha certeza. Cheguei em casa já esperando o pior. Mas na verdade ela queria me contar que estava grávida e não tinha ido na segunda porque teve que fazer uns exames e demorou pra caramba e ela não sabia como me dar a noticia, ficou sem graça. Que coisa né. Todo mundo lembra do dia em que foi contar pro chefe que a cegonha estava batendo na porta? Que vinha um novo integrante pra família? Que o seu enjôo matinal não tinha nada a ver com a máquina de café da copa? Que, enfim, o gato tinha subido no telhado? Então, eu estava passando por isso, só que na posição oposta à que eu estava a 3 anos atrás.

Claro que eu fiquei muito feliz com a notícia (mais feliz ainda em poder continuar contando com ela lá em casa) e tentei deixá-la tranqüila quanto ao emprego e a gravidez também, afinal de contas o trabalho de empregada doméstica não é bolinho e grávida não tem agilidade nem pra andar reto. Mas eu gosto muito dela e quero que ela se sinta segura nesse momento.

Enfim, tudo isso me fez perceber que a minha família não está preparada pra sobreviver sem uma empregada.Eu não estou preparada. Na ausência dela, TODOS os afazeres domésticos ficariam sob minha responsabilidade transformando assim a minha vida, que hoje cheira a air wick fresh matick, em uma vida com cheiro de cocô. E Ponto.

É engraçado como o trabalho doméstico é automaticamente direcionado para a mulher, e mais engraçado ainda como a gente acaba abraçando essa tarefa, muitas vezes sem pedir ajuda. É cultural, é social, eu sei, mas é extremamente massacrante também.

Acho que está na hora de fazer uma reflexão importante, como mãe, mulher, trabalhadora e ser humano. Até que ponto a responsabilidade é só minha? Não estamos todos vivendo e usufruindo do mesmo espaço? Pois então, nada mais justo do que dividir as tarefas, sem ficar pesado pra ninguém.

Vocês sabiam que os homens dinamarqueses passam, em média, 18 horas por semana executando tarefas domésticas? Isso dá mais ou menos 3 horas por dia. O suficiente para lavar, passar, cozinhar, botar criança no banho e fazer uma comidinha.

Os homens brasileiros passam em média 4 horas por semana executando tarefas domésticas. São 35 minutos por dia. O que é tempo suficiente pra trocar uma fralda, e reclamar do cheiro do cocô por 30 minutos. Colocar a cerveja no freezer e esperar 35 minutos até ela ficar gelada. Cozinhar um miojo e ficar 32 minutos em frente a televisão (e depois largar o prato sujo no braço do sofá).

Enfim, é triste minha gente! A minha sorte é que eu acho que o passaporte do meu marido foi adulterado e ele é na verdade um dinamarquês disfarçado. É um cara que lava, passa, passa pano, bota criança no banho e faz um bacalhau ao forno muito do gostoso.

Mas eu sei que somos exceção. Essa história de dividir trabalho doméstico não acontece em praticamente nenhum lar desse meu Brasil. E sabe de quem é a culpa? NOSSA.

Quem é que cria os meninos pra comer miojo e as meninas pra lavar os pratos? NÓS.

Num futuro muito próximo, a profissão de empregada doméstica só vai ter lugar em museu aqui no Brasil. Estamos indo pelo mesmo caminho que muitos países desenvolvidos, essas mulheres que são hoje empregadas domésticas estarão ocupando outros postos de trabalho. E todas nós, bancárias, operárias, jornalistas, professoras, médicas, enfermeiras, arquitetas, engenheiras... Teremos de lidar com o fato de que nossas casas não vão estar cheirando air wick fresh matick quando chegarmos lá. E todas nós temos hoje o mesmo desafio: Criar nossos filhos e filhas para que daqui a alguns anos seja natural lavar o prato do prórpio miojo. Ou estamos fadadas a viver aquela vida que cheira cocô, pra todo o sempre.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Buenos Dias Noel! Bye Bye Ken...

Uma das coisas mais legais do Natal era esperar pelo presente.

Sabe aquele friozinho na barriga da véspera, sem saber se aquele brinquedo que você tinha pedido de Natal ia chegar. E as vezes não chegava. Sei lá, eram tempos difíceis, de cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cortar zeros e levar 500 mil dinheiros pra comprar uma esfiha e uma Itubaina na cantina da EEPG Júlio de Mesquita Filho (e ainda tinha que sobrar troco pra subornar a Talita, ou então ela quebrava o estojo do Paraquai da Juliana Martins e botava a culpa em mim... Mais sobre a Talita, favor ler AQUI).

Enfim, uma das maiores decepções da minha vida (excluindo o dia em que eu assisti ao vídeo da Britney cantando sem playback. É de deixar qualquer pessoa abalada...) ocorreu num Natal.
Eu tinha pedido um Ken, da Barbie sabe?

 Porque afinal de contas eu não tinha nenhum Ken. E toda vez que eu ia brincar de Barbie com a minha prima, Milena, a minha Barbie mais velha, que tinha sofrido com um dos ataques terroristas do meu irmão Pedro e sobreviveu, porém com sequelas (leia-se careca) fazia as vezes de macho. A gente colocava um camisetão nela, calça larga e paletó e a Maria Gadú das Barbies Barbie Careca dava altos pegas nas nossas Barbies.

Era uma coisa bem lésbica que me deixou com sequelas psicológicas pro resto da vida.

Enfim, eu precisava de um Ken. Um Ken era o brinquedo mais desejado e necessitado EVER! E eu fui modesta hein! Porque nessa epoca eu ia brincar na casa da minha amiga Livia e ela tinha o castelo (CAS-TE-LO) da Sheerra, com direito a corujito e tudo mais!

Lembro como se fosse hoje da manha desse Natal.  Eu corri pro pe da arvore e fui logo rasgando o papel do presente e assim que consegui abrir eu senti a maior decepcao de toda a minha vida. Tentei disfarcar, porque eu ja sabia a algum tempo que o papai Noel entregava os presentes numa sacola do Mapin, e os meus pais tinham que pagar por isso. Mas foi mais forte do que eu. Eu chorei um choro esmagado, que sai por aquele cantinho ingrato dos nossos olhos, incontrolavelmente.

La, dentro de uma caixinha fechada com durex estava ele. Que deve ter custado naquela epoca alguns mihoes de dinheiros dos meus pais pro papai Noel, que teve por sua vez que ir buscar la no Mapin. Ele. O Galinho Buenos Dias. O despertador Paraguaio mais odiado de todos os tempos.



E foi assim que eu comecei a odiar o Natal. Teve tambem um incidente envolvendo o Noel e a minha irma, mas isso nao foi nada perto do Buenos DIas .

Mas agora eu sou mae e nao preciso envolver meus filhos em questoes polemicas sobre Kens e Galinhos Buenos Dias. Eles vao sentir o friozinho na barriga de esperar na vespera como eu senti duranta varios Natais.

Conviccao reafirmada pela espera do presente de Natal, eu ainda pretendia denegrir a imagem do Noel para os meninos e avisa-los de que ele costumava confundir Ken com Gainho Buenos Dias, mas o marido achou melhor deixar o Rancor de lado, afinal de contas eh Natal, a decoracao da Paulista esta linda, e a gente podia ate dar uma passadinha la no Ibirapuera pra ver a arvore! (Voces perceberam a tecnica? Eh assim que ele faz, ele me confunde gente, tira o foco sabe?).

Providenciei os presentes dos meninos no Mapin na Internet, todos chegaram lindos e embrulhadinhos para serem devidamente escondidos ateh a hora do Noel chegar e levar todo o credito. Mas foi ai que houve um acidente de percurso. O Lucca vai passar o natal desse ano com a mae dele, motivo pelo qual ele iria abrir o presente que tanto queria, e la dentro do pacotge ia estar o que ele queria (e nao um despertador que te acorda em outra lingua), e a gente nao ia estar la pra ver...

Resultado: Lucca ganhou o presente antes do Natal e o Theo ficou traumatizado, porque eu nao deixei ele abrir o presente antes tambem.

Pronto, trauma de Natal passando de uma geracao pra outra! Mas pelo menos dentro da embalagem do Presente dele nao vai ter um Galinho Buenos Dias.

FEIZ NATAL!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Carta para um pequeno grande garoto

Meu carinha,

hoje eu sai correndo do trabalho, me desabalei  tresloucada pela ponte Cidade Jardim e devo ter tomado uma multa na marginal. Eu estava preocupada porque me ligaram da escola dizendo que você não estava bem. Como eu soube que você teve febre no final de semana corri o máximo que pude. Cheguei na escola e subi as escadas pulando os degraus de dois em dois, igualzinho voce faz. Perguntei por voce na recepcao e a secretária ligou pra coordenadora e pediu pra te chamar. Sua mãe estava lá pra te buscar.

A professora te tirou da sala e disse: Lucca, sua mãe está aqui! Pode ir embora!
E nesse momento você se sentiu aliviado, sua febre, seu corpinho cansado, a tosse, nada disso mais incomodava. A sua mãe estava lá! Tinha saído do trabalho e tinha dado um jeito de ir te buscar! E ia cuidar de você, te fazer um chá, ligar pro pediatra pedindo instruções, iria correndo na farmacia pra comprar seu xarope e passaria o dia todo com voce.

Entao voce veio arrastando a mochila pelo patio, ja pensando no abraco e no beijo que daria na mamae, ia sentir o cheirinho dela e tudo ia ficar bem!

Mas quando o inspetor de alunos abriu a porta quem estava la era eu. Eu tinha saido do trabalho. E voce nao pode disfarcar a carinha de decepcao quando me viu.

E por mais que eu tenha te feito cha, tenha ligado pro pediatra, tenha corrido as pressas na farmacia, eu nao sou ela.

Meu querido, eu espero que um dia, quando voce crescer, e entender que os adultos nao sao tao sabidos quanto a voce pensava, nos possamos rir muito desse dia, porque hoje, tudo o que eu posso te dizer 'e que eu sinto muito pelo mal entendido e pela sua carinha de decepcao, e que eu quero que voce melhore logo. A Marinha te ama!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

De volta para o futuro, parte 1

Existem alguns fatos na nossa vida que traumatizam a gente. No meu caso posso citar vários momentos, porque eu fui uma pessoa extremamente traumatizada! Eu já apanhei da Talita, sofri bulling na minha própria festa de aniversário e já fui assaltada diversas vezes!

Sempre quando eu me lembro desses momentos me pego pensando “ E se?”. E se eu não tivesse apanhado da Talita na 1ª série? E se eu tivesse sido a noivinha das minhas próprias festas de aniversário juninas? E se eu nunca tivesse sido assaltada por dois trombadinhas naquele dia das mães gelado?

E essas possibilidades todas ficam pairando na minha mente (estilo a “cloud” da Apple porque né, mulher moderna essa que vos fala). Acontece que no fundo, seu eu pudesse mudar um único acontecimento traumatizante em toda a minha vida, eu sei muito bem pra quando a minha viagem no tempo me levaria... Pro dia 24 de outubro de 1997...

Pausa dramática para a viagem no tempo.... Corta pra 1997, ano em que Fernando Henrique era presidente, todo mundo corria pra sala as 9 da noite pra ver o Du Moscovis cabeludo em “Por Amor” e eu estava na 7ª série e era totalmente desprovida de atributos estéticos (leia-se feia).

Nessa época a Britney Spears lançava seu primeiro single, One more time! Pra quem não lembra nesse clipe A Li´ll Britney Bitch rebolava pelos corredores de uma High Scool de barriga/pernas/peitos/útero de fora, ostentando as madeixas douradas em duas trancinhas pedófilas.



A Britney era a solução de todos os meus problemas! Eu podia ficar parecida com ela! E eu ia! (tá gente, eu tinha só 13 anos e não entendia nada sobre coloração de cabelos)

Foi seguindo essa lógica que eu cheguei no salão da Creuza, na Rua José Bonifácio, no dia 24 de outubro de 1997 as 16h00. Horário que eu marquei pra fazer minhas luzes. Foi pra esse momento no espaço/tempo que minha viagem no tempo me levou (caralho, eu SEMPRE quis escrever isso)

E lá estou eu, sentada na cadeira do salão da Creuza, com uma capa de plástico roxa vagabunda onde lia-se Salão de Cabeleileiros (notem LEILEIROS) da Creuza.

Eu usava aquela toca de luzes na cabeça, esitlo ficção científica e a Creuza já estava com a agulha de crochê (sim, de crochê) em punho para começar a palhaçada quando gritei:

- Creuza, não se atreva! Se você fizer luzes no meu cabelo hoje eu passarei dois anos da minha vida me sentindo ridícula, isso vai afetar minha auto-estima até os 16 anos quando toda essa meleca já tiver sido expelida pelo meu cabelo! Você é uma péssima cabelereira e a gente só vem aqui porque a minha vó é sua amiga! E ah, não é cabeleileiro que se escreve, e sim cabelereiro! Zoa o cabelo das pessoas mas, por favor, não assassina o português!

E Creuza, com olhos arregalados, lia e relia a palavra cabeleileiros na capa do salão, enquanto eu olhava para uma luz muito branca, muito forte, o salão foi sumido, o cheiro de água oxigenada se esvaindo e...

Pausa dramática para a volta ao futuro! Corta para 2008, ano em que o Lula é presidente e as pessoas correm para sala as 9 da noite para ver a Flávia Alessandra dançar no queijo em "Duas Caras". Estamos no dia 11 de fevereiro de 2008.

Eu nunca vou me esquecer desse dia. Foi meu primeiro dia de trabalho no Banco, portanto o dia que eu conheci o meu chefe, me apaixonei por ele, e começava assim uma dor de barriga constante e um verdadeiro desfile de vestidos maravilhosos no escritório pra conquistar a chefia linda história de amor!

Abri os olhos e estava no meu antigo apartamento, dividido com Tia Baranga, na Vila Madalena! Levantei da cama feliz, olhei no meu espelho e tinha um cabelo tão saudável, tão bonito, eu era tão morena! Encontrei Baranga na nossa mini cozinha/lavanderia já tomando seu café com Valor Econômico habitué de todas as manhãs!

Sentei com ela, me servi de café e disse:

- Estou com a sensação de que vou conhecer o homem da minha vida hoje no Banco!
(rá, olha só, eu poderia ganhar milhões, eu sabia tudo o que ia acontecer nos próximos 4 anos! Eu poderia ficar rica! Ganhar na mega-sena! Se eu pelo menos tivesse decorado o resultado de algum sorteio da mega-sena... FICA A DICA aos próximos viajantes do tempo).

Baranga olhou pra minha cara de um jeito esquisito e mandou:

- Ué, ta louca? Vai pagar conta no Banco e acha que vai achar o homem da vida? Amiga, hoje em dia neguinho só paga conta pela internet ok? Desapega.

- Ih... Como assim Baranga? Bebeu? Tá colocando conhaque no café agora? Eu vou trabalhar no Banco! Hoje é meu primeiro dia de trabalho!

- Sim, é seu primeiro dia de trabalho, como colunista da Folha de São Paulo! Tá tudo bem com você?

Pausa dramática para o surto da viajante no tempo; OI? Folha de São Paulo? O que foi que eu fiz? O Fato de não ter feito luzes aos 13 anos tinha mudado TODA a minha vida? Mas como? Era só um pouco de água oxigenada com descolorante!

Mas afinal de contas, o fato das minhas luzes terem ficado ridículas me fizeram sofer toda sorte de constrangimento e provações. Fui injustiçada minha gente, por ter o cabelo estilo gato rajado
e não em estilo Britney para pedófilos! Daí que toda essa injustiça me fez querer ser o que? AdEvogada! Para um dia poder processar cabeleireiras como a Creuza que destroem o cabelo e a auto-estima alheios!

Olhei para cara de Baranga e perguntei:

- Eu sou jornalista?

- É, e acho melhor você ir logo pegar o seu carro antes que chegue atrasada no primeiro dia de trabalho! Lembra que você sonhou durante anos com esse emprego, então pelamordedeus vai logo! E a noite a gente conversa melhor sobre o cara do banco.

O cara do banco, o meu Big! Devem ter contratado outra pessoa pra minha vaga!!!! E se ele se apoixonar por ela? Casar com ela? Tiver filhos com ela???

Eu tinha que encontrar o Big! Ele tinha que se apaixonar por mim! E eu tinha o prazo de um ano para engravidar dele pra que o bebê fosse exatamente o Theo. E eu tinha que pegar meu carro e ir pra Folha de São Paulo.

Peraí, desde quando eu tenho um carro???

To be continued...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Dia em que roubamos o Mickey



Bom, daí que com 2 anos o Theo anda aparecendo com novidades do mundo lá fora aqui em casa. Primeiro foi uma história de “Mickey, Mickey, Mickey Mouse” que muito me assustou, afinal de contas eu nunca assisti o Mickey com ele! Como assim? De onde vem esse Mickey?


Da sala de vídeo. Sim. Na sala de vídeo o Theo assiste A casa do Mickey e tantos outros desenhos que eu nem sei e pronto, chega em casa cheio de novidades.

E por culpa da sala de vídeo e do Mickey o Theo ficou louco por ele. É só pintar o tal do rato em qualquer lugar que ele já começa a cantar “Mickey, Mickey, Mickey Mouse” ensandecidamente como se não houvesse amanhã, pulando e rebolando a bunda de fralda porque né, meu filho é meu filho e conseqüentemente nada discreto.

Este final de semana tivemos aniversário do priminho pra ir, e enquanto papai e Lucca resolviam problemas vídeo-gamísticos, fomos eu e Theo até a loja de brinquedos pra comprar o presente do primo.

Todo mundo lembra da sensação de ser criança e entrar numa loja de brinquedos certo? Não??? Então me deixe relembrar você... Você é um serzinho em formação, de apenas 80 cm, com uma imaginação deveras fértil e com a sensação de que as prateleiras da loja se estendem até o infinito! E então você vê, lá, em uma pilha de destaque, várias caixas transparentes com nada mais nada menos que o “Mickey, Mickey, Mickey Mouse” dentro!

Pronto! O Theo gudunhou no tal do Mickey na caixa plástica e nada nem ninguém o fazia soltar o brinquedo. Deixei ele curtir aquele momento (leia-se, sentei ele com a caixa do Mickey do meu lado enquanto procurava um jogo pra comprar pro primo) e então chegou a hora de pagar o presente e ir embora, deixando o “Mickey, Mickey, Mickey Mouse” pra trás.

Mas quem disse que o Theo gostou da idéia??? Não minha gente, o Mickey era Lindo! Era amigo! Era novinho! E era dele. Pronto acabou. Assim que eu disse: “Filho, vamos guardar o Mickey de volta” ele me surpreendeu! Não, ele não gritou, chorou, se jogou no chão ou coisas afim. Ele simplesmente SAIU CORRENDO DA LOJA DE BRINQUEDOS SHOPPING AFORA COM UM MICKEY FURTADO, AFANADO, ROUBADO, SUBTRAÍDO DE OUTREM NAS MÃOZINHAS!

E eu, como qualquer mãe normal e controlada, saí correndo e gritando atrás dele pelo corredor do shopping “Filho, volta aqui, devolve isso, isso não é nosso THEEEEEOOOOOOO”.

Algumas lojas depois, eu consegui alcançar o pequeno meliante que tinha, estrategicamente, deitado em cima do seu objeto de furto dentro do quiosque de Yoguberry. Agarrei Theo e “Mickey, Mickey, Mickey Mouse” e voltei com cara de derrota calma e parcimônia para loja de brinquedos, onde a vendedora me aguardava , acompanhada do segurança.

Coloquei o Theo no chão e falei com a voz mais firme que os 5 minutos de corrida de salto alto me permitiam: “Filho, o Mickey não é seu, ele mora aqui, com os outros Mickeys e vai chorar se for embora, acho melhor você devolve-lo onde achou”.

Ele foi lá, colocou o Mickey roubado, agora já desfalecido dentro da caixa, ao lado dos outros Mickeys, olhou bem pras caras da vendedora e do segurança e começou a cantar “Mickey, Mickey, Mickey Mouse” ensandecidamente como se não houvesse amanhã, pulando e rebolando a bunda de fralda.

E agora, já posso rir?

(ou ainda eu posso ir pra Disney e ver o Theo cantar “Mickey, Mickey, Mickey Mouse” ensandecidamente como se não houvesse amanhã, pulando e rebolando a bunda de fralda por dias a fio...)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

PAI

Hoje vamos falar aqui sobre o personagem mais injustiçado da história da maternidade.

O PAI.

Sim! Esse cara que teve uma participação, digamos, FUNDAMENTAL, na confecção do bebê.

O Pai é o cara que estava do lado de fora do banheiro lendo as instruções do exame de farmácia pela vigésima vez enquanto você mijava no palito; o cara que olhou os 2 tracinhos no exame e leu as instruções de novo, dessa vez em inglês e espanhol, porque né, vai que muda!

O Pai, aquele que passa 4 meses desacreditando que exista um 3º passageiro na família, quando no 5º mês surge na esposa uma barriga de um tamanho que jamais ele imaginou possível. O pai é o cara que passa os outros 4 meses conversando com uma barriga, justificando pra barriga porque o berço ainda não chegou, ou comemorando o gol do Corinthians com a barriga.

Pai é aquele que sai correndo quando estoura a bolsa, meio rindo de nervoso, chega no hospital depois de ter violado metade das regras do Código Nacional de Trânsito enquanto conversava com a barriga, tentando convencê-la de não virar um neném enquanto ele não conseguisse levar todo mundo, mãe pai e barriga, sãos e salvos até o hospital.

No hospital o pai não é ninguém, até ser colocado em uma sala onde a mãe sente dor, a barriga sente medo e o Pai sente que vai morrer ali mesmo, ainda bem que ele já está num hospital.

Na hora em que o bebê nasce o Pai acha que a sua função essencial é contar os dedos dos pés e das mãos do bebê, umas 15 vezes, pra se certificar de que está tudo bem (oi?). Outra conhecida função do Pai na maternidade é esclarecer pras enfermeiras que não, ele não está chorando, na verdade ele está com uma irritação no olho, na verdade uma irritação em cada olho... O Pai acaba chamando o gerente do hospital pra reclamar que tem alguma coisa errada com o ar condicionado da maternidade por que não é possível ter tanto olho irritado num lugar só! (E todos os outros pais com olhos marejados e testa colada no vidro do berçário concordam plenamente).

Quando o recém-nascido chega em casa a função do pai é se desesperar enquanto a mãe dá o banho, e segura um neném minúsculo, mole e ensaboado com uma mão só!

Pai é o cara que inventa uma classificação maluca pros cocôs do filho, é aquele que acorda de madrugada assustado e quando dá por si a mãe já levantou, pegou o bebê, amamentou, botou de volta no berço e voltou a dormir!

Ele é o cara que fica no fundo da apresentação de dia dos Pais na escolinha, porque nessas datas comemorativas o ar condicionado da escola tem um problema bem parecido com o da maternidade.

O Pai vai ensinar coisas que você, como mãe, jamais conseguiria! Vai ensinar a levantar sozinho depois de um tombo, a dar o drible da vaca, vai ensinar que homem só chora quando o ar condicionado está desregulado.

E um dia esse Pai vai dormir, e quando acordar aquele bebê, que andava a passos bêbados, se tornou um jovem, cheio do frescor, da vontade e da certeza de ter super-poderes que é essencial a todo o jovem! E esse Jovem vai olhar pro Pai e dizer “ Tchau”. Dessa vez tchau mesmo, não como das outras vezes em que esse tchau significou um “até mais tarde”, vai ser um “tchau adeus”.

E o Pai vai ser o cara que vai continuar lá, reclamando do ar condicionado, com lágrimas nos olhos, desejando com todas as forças de seu corpo que tenha conversado o suficiente com a barriga, com o bebê, com o menino enquanto foi tempo. E desejando também que ele tenha aprendido o drible da vaca e tenha virado um verdadeiro Corinthiano.

Uma homenagem aos melhores pais do mundo, cada um do seu jeito, mas ambos meus heróis.

Para o meu Pai, Dodô, que leu comigo toda a coleção do Monteiro Lobato e sempre me contava uma piada nova no jantar. Pai, eu diria que o culpado por este blog é você.

E Para o meu marido, BIG, um Pai como poucos, que conversou com a barriga, comemorou gol com ela, e vive reclamando do ar condicionado. Quero deixar claro que quando você piscar e perceber que os meninos cresceram eu vou estar lá, mais eu vou chorar de verdade, não vou reclamar do ar condicionado.




quarta-feira, 13 de julho de 2011

FÉRIAS - EU TE ODEIO!

Ah as férias de julho! Férias de julho me lembravam tantas coisas boas! Primeiro, 4 semanas sem aula, sem lição de casa, sem provas, sem ter que acordar cedo, sem buyling (sobre esse assunto ler o post anterior).

Eu geralmente passava as férias de julho na casa da minha vó, que morava a 15 minutos (a pé) da minha casa. Mas não era só eu quem passava as férias lá! Eu, meu irmão, minha irmã, meus oito primos e eventuais amigos nossos também freqüentavam a colônia de férias da minha vó. E era legal demais! A gente comia pão fritinho com manteiga, leite batido com goiabada, brincava de pega latinha (e a Preta, minha irmã, sempre se escondia no mesmo lugar). Todo mundo caia do murinho que separava a cozinha da sala de jantar (mas só o meu irmão, Padrão, rachou a cabeça né, fala aí!). Enfim, a casa da minha vó era a nossa Disneylandia caipira (Preta e Pedro, eu citei vocês de propósito, porque eu sei que vocês me Lêem mas quase nunca comentam. E eu sou rancorosa e levo as coisas pro lado pessoal, portanto, cadê os comentários da família???).

Enfim, hoje eu sei que o que pra gente era a maior diversão de todos os tempos pra minha mãe era um alívio, já que ela, via de regra, não tirava férias em julho. A colônia de férias da vovó era a solução de todos os problemas!

Pois então vamos avançar 25 anos e chagamos até hoje, 13 de julho, data em que o Little Big está de férias e eu não. Vocês, leigos em assuntos maternos podem estar pensando “já li 3 parágrafos e ainda não entendi onde essa mulher quer chegar...” Pois eu explico: Se seu filho (tá, ele é meu enteado, mas é meu filho na prática né galera?) sai de férias e você não, numa cidade como São Paulo, e todos os seus parentes mais próximos estão a mais de 150km de distância, e se seu outro filho não está de férias, bom, é o Armagedon! É um desastre! Um Tisunami na rotina de qualquer mãe.

Explico: Moro num prédio com muitas crianças, todas da idade do Little Big, o que é ótimo porque ele tem muitos amigos. Mas a maioria das crianças freqüenta a já exemplificada colônia de férias da vovó, o que é péssimo porque o prédio fica deserto o mês de julho todo. Renegado à turma dos sem vó, sobram no prédio Little Big, Larissa e Giovana. Essas duas últimas só brincam de Barbie, fora de cogitação (ok, nada contra se ele quiser brincar, as vezes até rola dele se enturmar na brincadeira das meninas e, na boa, não vejo nada de mal nisso, acho aliás coisa de menino muito bem resolvido).

No final das contas ele acaba ficando o dia todo dentro do apartamento, jogando vídeo game, assistindo Nicklodeon e Cartoon, mexendo no computador e LIGANDO NO MEU CELULAR!!!



Agora imaginem a cena, lá estou eu, 9h30 da manhã, sentada na baia do auditado, pegando evidências, levantando fluxo, anotando tudo no meu caderno sem nível (com um surfista na capa – alou pessoal dos suprimentos de escritório, acaba com a credibilidade do auditor esse negócio de capa de caderno colorida, além de ser muito anos 80 né, vamo combiná) e de repente toca meu celular. Número de casa, eu sabendo que o Little Big está lá só com a minha secretária (e fiel escudeira, Di! Te amo mais que chocolate!) atendo. Ele: - “Mari, não consigo abrir o saco de pão”.


E o dia tá só começando...

10h30 – Ele me liga pra perguntar se a Giovana pode ir lá em casa.

12h30 – Liga pra perguntar se precisa comer toda a salada.

14h00 – Quer saber se falta muito pra eu chegar.

15h00 – Liga e eu não atendo porque estou em reunião.

16h30 – Me pergunta, indignado, porque eu não atendi as últimas 6 ligações. Respondo que estava em reunião. Ele quer saber sobre o que era a reunião.

17h30 – Quer que eu dê sugestões sobre o que ele pode fazer porque está de saco cheio de ficar o dia inteiro dentro do apartamento.

18h00 – Liga pra ter certeza que eu já saí.

Pois é minha gente, o post poderia acabar aqui. O dia também. Mas ainda temos o segundo tempo de toda mãe que trabalha. O meu começa quando vou buscar o Theo na escolinha (que graças a Nossa Senhora do Bom Parto não tem férias de julho). Quando chego em casa e os dois se encontram, depois do Little Big ficar o dia inteiro guardando a energia característica dos meninos de 9 anos pra esse momento, minha sala vira palco de ensaio do Circo Du Seu Léu. Eles ficam correndo pelo apartamento (a pé ou sobre veículos de 3 rodas, aqui em casa conhecidos como bibi), gritando um pro outro, ouvindo Britney Spears, pulando, pedindo mamá, água, suco, coca, cachorro quente e até um cachorro de verdade!

As 8h30 amarro coloco os dois na mesa pra jantar (geralmente eu fico sem jantar pra poder agir rápido caso um deles derrube o copo de suco ou queira jogar o prato de comida na parede – juro, já aconteceu).

As 21h30 é hora do banho. Nessas férias eu desenvolvi nova técnica: coloco os dois dentro do Box com um balde de brinquedos e corro pra arrumar os respectivos pijamas.

NOTA: Importante esclarecer que o Big resolveu fazer um curso intensivo de inglês no mês de férias escolares porque né,julho é um mês tranqüilo (PRA QUEM?HEIN?OI? – desculpa, precisava desabafar).

As 22h00 quando está todo mundo limpo e trocado, eu coloco no Discovery Kids pra ver se o sono deles chega. Mas quem chega é o papai e aí, é claro, eles precisam fazer toda a apresentação do Circo du Seu Léu again!

Lá pelas 23h00 conseguimos convencer os dois a deitar na nossa cama (sobre esse assunto ler o post sobre cama compartilhada) e depois de uns 40 minutos os dois dormiram.

23h40 é hora da mamãe tomar banho e arrumar a mochila do berçário pro dia seguinte. Se tudo der certo, consigo dormir as 24h20. Eu já comentei que no dia seguinte acordo as 6h30? Não? Ah então, tem esse detalhe.

Portanto, Férias de Julho, eu te amei, te esperei, te curti durante anos... Mas, posso falar que agora EU TE ODEIO? Pronto, falei.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cola o seu retrato (junino) no meu, Pra ver se cola

Junho é sempre um mês legal pra minha pessoa. Tem dia dos namorados, e eu ganho presentes fofos do Big, depois é meu aniversário, e eu ganho presentes fofos de todo mundo (olha que pessoa querida eu né?) e tem as Festas de São João.
Eu era meio traumatizada com festa junina. Porque pensa comigo, morando no interior, aniversário no meio de junho TODAS  as minhas festinhas de aniversário eram a caráter São João!
Festa Junina da Mônica, Festa Junina dos Ursinhos Carinhosos, festa do Power Rangers junino (tá, essa é mentira)... Enfim, eu até gostava da quadrilha, das paçocas, de pescaria mas né, tem limite. E o pior EU NUNCA ERA A NOIVINHA.  Na escola eu não era porque eu era feia. Sim, eu sei, vocês vão querer me consolar dizendo que agora eu dei uma boa melhorada (hohoho) e que o buyling todo já passou, mas o fato é que eu era bem zoadinha. Aparelho externo nos dentes (ortodontistas do Brasil, obrigada por não mais obrigar crianças a usar esse tipo de instrumento de tortura, e Ah! Dr. Ademir, meu ortodontista da infância, obrigada por ajudar os bulinadores da minha escola); eu usava óculos de grau de gatinho sabe? Daqueles que deixam qualquer um com cara de idiota, tinha cabelinho Chanel porque minha mãe resolveu não dar mais opinião nos meus cortes de cabelo após o evento Chitão em 1989 (e também porque era época da novela “A usurpadora”). Enfim eu era feia e não, eu não vou colocar nenhuma foto dessa época aqui porque se ela teve uma parte boa foi a parte em que acabou!
Só em caráter ilustrativo/didático, eu era mais ou menos assim (mas a armação do meu óculos era rosa porque eu sou mocinha) mas sem ser a Katy Perry - detalhe importante esse.

Mas o Cabelo era mais ou menos esse aqui ó:

Sim pessoas, era chanel + topete + franjinha "falsa"e o Celso Kamura cortando os Pulso em 1991.

Voltando aos assuntos juninos, eu era feia, como já muito bem expliquei, e nunca seria portanto a novinha da festa junina. E ninguém nunca pensou em me vestir de noivinha nas minhas festas de aniversário juninas, o que dava espaço para outras meninas virem de noivinhas e eu ficava lá, me arrastando pelos cantos de batom-blush na bochecha, pintinhas e chapéu que já vem com tranças. Resultado óbvio: Trauma.
Enfim, eu evitei comemorações juninas até ano passado, porque eu posso até ser traumatizada mas nem por isso o Theo não vai poder dançar ao som de “pula a fogueira ia iáaaa”. E esse ano festa junina aqui em casa foi em dose dupla, porque o Lil' Big também fez uma super performance a caráter no colégio dele.
Então lá fui eu para todos os preparativos juninos que me cabiam no papel de mãe e boadrasta.
Passo 1- Camisa Xadrez. Andei viu. Andei muuuito e não achava camisa xadrez número 10 por menos de 60 paus. Oi? Alguém sabe quem foi o gênio que inventou que camisa xadrez tá na moda? Agradece ele por mim e diz que graças a ele minhas comemorações juninas saíram muito mais caras do que o esperado! A camisa do Theo ele já tinha ganho  de herança de um priminho. Yes, nós reciclamos roupas!
Passo 2 – Chapéu. Fácil, loja de 1,99.
Passo 3 – Remendos. Aí que eu fiquei arrasada porque minha mãe fazia remendos ótimos nas nossas roupas, em formato de coração, estrela, violinha e por aí vai. Mas cadê a habilidade artística e o tempo quando a gente precisa hein?
Roupas ok, fomos pras festas, do Lill'Big num sábado e do Theo na sexta seguinte. Na verdade só fomos na festa do Lill' Big porque a do Theo foi fechada só pras crianças da escolinha. Muito pula fogueira, olha a cobra, paçoca, cachorro quente, quentão e vinho quente e cervejinha pros pais. A festa tava linda, o Lill'Big também, todo na estica de caipirinha. Quando ele foi dançar o Big chorou porque né, super emocionante a coreografia com narrador que grita “balancê”(oi?). Na verdade ele chorou porque ele é um cara de 2 metros de altura recheado de muito amor cremoso por dentro, mas como uma cobertura crocante de orgulho por fora. Rá. Melhor descrição Ever! Te amo Pre!(ok, voltando ao texto)
Na sexta fui arrumar o Theo e resolvi que já que a roupa não tinha remendo eu ia pelo menos fazer uma barbinha nele, estilo Nhô Theo! Já pensei comigo, vou ter que amarrar né, pra desenhar bigode na cara de bebê de 1 ano e 8 meses. Que nada! A hora que ele me viu com o lápis de olho em punho ficou quietinho e depois dançou em frente ao espelho todo orgulhoso da puberdade precoce. Nem preciso falar que ele tava irresistível né?
Mandei a máquina fotográfica na mochila e rezei pras tias não esquecerem de tirar bastante foto. No fim do dia, corri pra buscá-lo e assim que chegamos em casa fui ver as fotos na máquina claaaro. E lá estava ele, todo lindo, de caipirinha, sentado num banquinho, bem pertinho DE UMA MENININHA VESTIDA DE CAIPIRINHA. Oi? Perai, vamos pra foto 2 na qual ele deve estar curtindo a balada junina com os amigos. Foto 2 era ele e A CAIPIRINHA TOMANDO UNS BONS DRINK MAMANDO! Foto 3 Theo e A CAIPIRINHA enquanto Antônio segura vela. Foto 4 Theo e A CAIPIRINHA com cara de que foram pegos no pulo.
Ok, ok. Eu tinha visto o suficiente. Preciso falar que eu morri? Bom, a Caipirinha chama Gabriela, o Theo chama ela de Bibi e a tia da escolinha falou que os dois simplesmente se A-DO-RAM! Se enchem de abraços e beijos toda vez que se encontram e estão sempre juntos. Minha conclusão. O Theo tem uma namorada!
Conformada com o primeiro relacionamento amoroso do meu filho de 1 ano e 8meses (oi? bebi?alguém me joga água na minha  cara por favor),  Fui salvar as fotos juninas no computador e foi aí que eu vi o truque. Na última Foto onde a caipirinha aparece o Theo está com a mamadeira dela na mão enquanto ela faz cara de quem não está gostando nada disso! Ou seja, o xaveco todo foi só pra afanar a mamadeira dela! Rá! Meu filho não tem namorada! Ou eu sou uma mulher totalmente descontrolada que prefere se enganar do que ver fotos do filho com a amiguinha e cantar mentalmente “cola seu desenho no meu, pra ver se colaaaa”.
Obs: O texto ficou ENORME, espero que alguém leia hahaha. Beijos juninos com cheiro de pinhão pra vocês.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Operação Balada

Toda semana eu abro a Contigo! (oi?) e vejo fotos de celebs glamourizando em eventos de toda a sorte, de todo lugar e de todo gosto (ou da falta dele). Estão lá, lindas, maquiadas, de salto alto e sem filhos mas... Peraí, várias delas tem filhos (e eu sei disso porque vi foto de TODAS com o barrigão). Então, cadê as criança? Comé que faz pra tá toda semana sensualizando o Rio de Janeiro sem filhos? Não rola uma culpa básica? A criança não sente falta? Elas conseguem não falar sobre os filhos? To sendo muito careta, e a moda agora é namorar pelado sair por aí esquecendo que pariu?


Flávia Alessandra, deixou a Filha mais velha Giulia de 11 anos cuidando de Olívia de 7 meses e foi glamourizar na festa da novela Morde e assopra.


Fernanda Lima deixou os gêmeos João e Francisco de 2 anos em um hotelzinho em São Miguel Paulista pra poder ficar 3 horas no salão. E o cabelereiro não sobreviveu pra contar porque fez uma merda tão grande na cabeça alheia. 

Por último a mãe do ano, Dani Winits, que deixou Noah de 3 anos com o Pai Cássio Reis (bom pro menino né, vamo combiná) e o caçula Guy de 5 dias (oi? que porra de nome é esse?) na maternidade pra ir buscar o ex Jonatas Faro na Matinê da Loka em Sp.
Bom, to falando sobre isso porque né, rolou uma baladinha esse final de semana, aniversário da cunhada em um Pub e eu tive que ORGANIZAR UMA OPERAÇÃO DE GUERRA COM 1 SEMANA DE ANTECEDÊNCIA pra poder sair por 6 horas.
Vou resumir em tópicos porque eu tenho preguiça de escrever direito eu acho que fica mais organizado.

Resumo da Operação balada:

1 - Consgeuir me maquiar com um menino jogando controle remoto na privada e o outro chorando porque o irmão jogou o controle remoto na privada;
2 - Despachar os 2 menino no sábado a noite - Little Big foi pra casa da mãe e Theo pra casa da minha tia!God bless minha única tia que mora em São Paulo! Tia, beijo, me liga!

3 - Chegar na balada e não ficar pensando: " Vou gastar os tubos na terapia porque deixei meu filho na casa alheia pra vir cachaçar";
4 - Tentar falar sobre outro assunto que não o desfralde (sim, tá chegando a hora, eu  to meio abalada com isso, acho que tá muito frio pro Theo começar a cagar no peninco mas também acho que ele tá incomodado com a fralda, eu to assim, meio abalada com isso, pensando bem acho que vou esperar esquentar um pouquinho porque ninguém merece ficar com a bunda de fora num frio desses, se bem que quer coisa que gela mais os documentos do que  fralda mijada? Eu já falei que to meio abalada com esse assunto?)
5 - Lembrar que a grande e esmagadora maioria das pessoas que estão num Pub as 2 da manhã do sábado não tem filhos, nem nunca trocou fralda cagada portanto não estão nem um pouco abaladas com desfralde. Tentar falar de outro assunto.
6 - Perceber que não tem mais outro assunto;
7 - Trapacear e sair pela balada desesperadamente procurando alguém que use uma correntinha de mãe, sabe? Aquela com o pingente menino, ou pingente menina? Como uma vez já fez a Roberta, e, é claro, não encontrar;
8 - Resolver que tem que beber mais pra entrar no clima da balada;
9 - Ouvir as pessoas cantando " And I, had the time of my life" e soltar: "Conheo essa música, é do Dirty Dance!" e virar motivo de chacota pro resto da noite (velha, velha, velha, velha, sou tãaaaaao anos 80...);
10 - Ficar bêbada, fazer declaração de amor pro marido, falar pro Tio boa Pinta que gosta dele pra caralho, e chorar de saudade do filho;

Bom, finda a balada passamos no Mc Donalds porque a gente é muito radical e ri na cara do perigo (e do colesterol). Fomos dormir e acordamos desesperados pra ir buscar os meninos. Curamos a ressaca brincando de cabana antes de dormir.

E a lição aprendida foi: Se você é mãe pode até sair do ninho, mas o ninho nuca sai de você! E seus amigos vão ter que começar a aprender a aceitar que você só conversa sobre cocô e não conhece as músicas do momento, a não ser que seja o CD novo do Palavra Cantada.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sobre mães, madrastas, filhos e a coragem no meio de tudo isso


Eu já falei um pouco aqui e aqui e aqui como foi o começo da minha relação com Little Big. De quanto foi difícil no início, como foi nossa aproximação e de quantas vezes fomos confundidos com mãe e filho... Então veio o Theo e, como bem diz a Roberta do Piscar de Olhos, eu fiquei totalmente monotemática.


Depois de uma avalanche hormonal de ocitocina, prolactina e mais um monte de hormônios inomináveis que fazem a gente chorar em comercial de fralda e arrumar briga com seguranças de Banco, as coisas foram se ajeitando com o Theo e a nossa família! Eu e Big casamos, duas vezes porque né, a gente se ama muito e resolveu casar a prestação pra reafirmar o compromisso. Eu me vesti de noiva, vi o Theo entrar na cerimônia com a minha mãe e o Little Big carregar as alianças! Aí é claro fomos viajar e deixamos o Theo por uma semana aos cuidados da Minha mãe e , quer saber, foi legal pra caramba!

E no meio disso tudo eu esqueci de contar aqui um detalhe importantíssimo dessa trajetória nada mole do meu humilde meia taça 44. Estamos com a guarda de Little Big.

Eu sei que a primeira coisa que as minhas leitoras mães vão falar é: MAS COMO ASSIM PUTAQUEOPARIU ELE NÃO ESTÁ COM A MÃE DELE???

Bom, daí que agora eu vou entrar num assunto delicado e que, sinceramente, até eu que estou vivendo a situação tenho dificuldade de entender...

Porque o Little Big tem uma mãe, certo? Que pariu, amamentou, trocou fralda, enfrentou a separação do namorido, Big, pai do seu filho, resolveu ir embora de São Paulo, depois voltou pois achou que não era justo afastar o filho do pai, e aí eu apareci, e ela no começo desconfiou de mim, mas depois a gente se conheceu e ela viu o tamanho do meu carinho e do meu respeito pelo filho dela, e achou que era hora de também procurar alguém pra dividir a vida e foi aí que apareceu no seu caminho um Canalha. E infelizmente levou dela não só todo o recurso financeiro, mas os sonhos de alguém que já tinha sofrido por demais nessa vida.

Esse parágrafo é só pra resumir (BEM RESUMIDO) o que aconteceu com ela. Mas ia ficar difícil de entender a história sem essa parte importante e eu espero que a Mãe do Little Big não se importe em ser citada aqui.

Acontece que vendo tudo isso acontecer com ela, Big percebeu que Little Big estava enfrentando todos esses desafios também, e passando por situações que ele não precisava passar com 8 anos de idade. Foi aí que ele me perguntou: “ Little Big pode vir morar com a gente?” E eu respondi: “ Claro que Pode” , mas já logo pensei que a mãe dele não ia deixar nem fudendo, porque eu não deixaria! Porque não é o fato da nossa situação econômica ser melhor que vai fazer a vida da criança mais feliz, e porque eu sou mãe né porra, e mãe não tem coragem de ficar longe de filho em hipótese alguma nesse mundo de meu Deus!

Mas o Big é meu parceiro, estava sofrendo por ver Little Big em toda aquela situação e eu tinha que tentar fazer isso por ele. Por eles!

Surpreendentemente (ou não) minha relação com a Mãe do Little Big foi sempre muito boa desde quando a gente se conheceu, pelo simples fato de que a gente se respeita. Eu respeito o passado dela ao lado do cara que hoje é meu marido, e ela respeita o meu presente, ao lado do ex-namorido dela. Evoluídas nós duas né não?

Acontece que por essas e outras ela sempre me escuta muito, a gente conversa e ela leva em consideração o que eu digo a respeito da educação do filho dela, meu enteado. Ela sabe que como ela eu quero o melhor pra ele, sempre.

E fomos lá, Big e eu, conversar com ela sobre a nossa idéia de Little Big vir morar com a gente. Eu falei sobre as escolhas que a gente tem que fazer na vida, que infelizmente ela estava passando por uma fase delicada e que lá em casa Little Big teria toda segurança do mundo pra se desenvolver, ele tem o quarto dele, tem os amigos, tem ótimas escolas lá perto e tem o pai, a madrasta e o irmão. E Big falou que não era justo Little Big sofrer pelos acontecimentos da vida da mãe. E eu já pensei comigo “ Cagou né, agora que ela nunca vai aceitar um troço desses!”

E pra minha surpresa ela disse que Sim, ele podia vir morar com a gente, ela ia estudar, dar um up grade na carreira, e quando se estabilizasse ele voltava a morar com ela.

OI? Como assim? Tá Louca? Bebeu? É seu filho! ÉFE- E-ÉLE-AGÁ-Ó! FILHO!

Juro que eu Choquei!

Como ela ia ficar todo dia sem saber se comeu, se dormiu, se tomou banho, se chorou, se fez lição, sei lá! Eu julguei Mesmo! Sem pudores! Pensei comigo: “ Mas que tipo de mãe aceita numa boa, amigavelmente, não morar mais com o próprio filho?” Bati no peito e jurei que se fosse comigo jamais me separaria do meu filho! E passei uns bons meses pensando assim, que ela era uma mãe relapsa, uma má mãe, uma mãe de merda mesmo! Tive raiva, quis tirar satisfação, sentia pena do Little Big e me sentia pressionada a preencher o papel que na minha cabeça havia sido abandonado!

Até que um dia tive que ir buscar algumas coisas do Little Big na casa dela e tivemos um momento só. Nós duas, de mãe pra mãe. E foi então que ela quebrou todos os meus preconceitos. Me lembro de ver o quão sofrido estava sendo aquela situação através dos olhos dela, no semblante. Ela sofreu demais, foi enganada, perdeu tudo e ficou só. Com um filho que dependia dela. E nesse momento nossa família estendeu a mão e pediu pra cuidar do Little Big e ela sabia que na minha casa o filho dela teria uma família, seria acolhido, teria conforto psicológico e financeiro. Pensando nele, e só nele, ela nos entregou o próprio filho com o coração dilacerado. Se tivesse sido egoísta, pensado só nela, não teria aceitado. Teria rejeitado nossa ajuda e continuado sua luta, com todas as desavenças e necessidades que ela enfrenta hoje e ainda vai enfrentar, obrigando o filho dela a passar por tudo isso junto.

Ela não foi, não é e nunca será uma mãe de merda. Ela é uma mãe de coragem! Que colocou o bem estar de um filho acima de qualquer sentimento próprio. Admiro o que ela fez. E espero de todo o coração estar à altura da confiança que ela depositou em mim. Afinal de contas, a gente não entrega filho da gente na mão de qualquer um.

terça-feira, 3 de maio de 2011

MAMI'S SHAPE (O Segredo da Desembarangada de Ivetão)

Estou voltando com um assunto que é recorrente em rodinhas de mulheres (não só de mães). O nosso lindo corpitcho. Sim minhas caras, vaidade é um negócio que não se despede da gente por uma janela quando o bebê entra pela porta. Não!


Ela pode ficar esquecida por alguns momentos no pós-parto (salvas as devidas exceções como Claudia Leite e Fernanda Lima), momentos de total e completo encantamento e dedicação ao novo serzinho (leia-se, desespero, falta de experiência e dúvidas do tipo "o que eu faço com esse resto de cordão umbilical grudado na barriga do meu filho??? SOCOORROOO"). Mas logo nossa vaidade volta pela janela e começa a perguntar pra gente: "E ai baranga? Ser mãe não é desculpa pra se transformar em mocréia não!"

Aí pronto, você fica neurótica, começa a achar que a sua barriga vai ficar pra sempre torta pro lado esquero (a minha ficou umas 3 semanas assim e eu J U R A V A que nunca mais ia voltar ao normal, tragédia), que o seu cabelo nunca mais vai parar de cair, que vai ter que usar o sutiã da sua avó depois que parar de amamentar e por aí vai.

Pois colega, se você também entrou nesta neura, seus problemas acabaram! Apresento a vocês a nova moda entre as mães modernas! É o fim da Solange Frazão, do Shake da Luciana Gimenez, do AB isolator e dos planos anuais de academia!
Chegou o revolucionário plano “Mami’s Shape”. Com ele você terá dietas e treinos práticos, adaptáveis ao seu dia a dia conciliando a presença do bebê com a sua vaidade!

Passo 1: A partir de 1 mês

Obs1: Notem que eu pulei o pós parto, já que eu acredito que nesta fase a gente ainda está totalmente enlouquecida com outros assuntos, então ninguém ia topar iniciar o “Mami’s Shape”.

Quando o bebê já tem um mês de vida, você provavelmente já está menos maluca e é capaz de seguir os passos do programa. Essa fase é muito simples:

Dieta: Preocupe-se com a amamentação do bebê que a natureza faz o resto. Ou seja, nada de frituras, chocolate, refrigerante, café ou temperos muito fortes. Beba muita água.

Treino: Coloque o bebê para arrotar e fique em pé. Ande por toda a casa, geralmente temos que esperar uns vinte minutos, portanto é o tempo pra fazer um leve exercício. Enquanto o bebê dorme, reze para sua barriga desentortar (eu rezei, e funcionou, também usei a faixa de pós operatório, mas acho que se eu não tivesse feito promessa pra Santa Rita nunca mais tinha voltado no lugar).

Passo 2: A Partir dos 5 meses

Agora o bebê já começou a comer as papinhas e tomar os suquinhos, ele também deve estar começando a brincar no chão.

Dieta: Siga a dieta do passo 1, e quando a fome bater coma os restos de papinha do bebê. Infalível!

Treino: Enquanto pega o bebê no chão, faça agachamentos. O exercício consiste em afastar as pernas na largura do quadril e agachar. Nesta fase também dá pra começar a malhar o bíceps, enquanto levanta o bebê no ar.

Passo 3: A partir de 10 meses

O bebê engatinha e as papinhas começaram a ficar mais consistentes. É um ótimo momento para intensificar os treinos.

Dieta: O passo 1 ainda continua ativo (até você parar de amamentar). Nesta fase você já voltou a trabalhar, portanto a idéia é a seguinte: Não coma nada que você não daria para o seu filho, ou seja: feijoada, buchada, rabada e demais comidas que terminem com Ada estão terminantemente proibidas.
Treino: Coloque o bebê no carrinho e dê uma volta pelo bairro. Agora que você já está com um condicionamento físico melhor, devido aos passos anteriores, vale dar uma corridinha de vez em quando. O Theo adora!

Passo 4: Até os 18 meses

O bebê já anda, já come quase de tudo, você já está ficando maluca com a dupla jornada e a Ivete Sangalo já desembarangou depois do parto dela (detalhe, o bebê dela é mais novo do que o seu!). Calma, continue firme que os resultados serão nítidos!

Dieta: Coloque a sua comida num prato, a do bebê no outro, e sentem os dois para comer. Você vai dar a comida dele pra ele, comer o restinho e desistir de comer a sua. FATO.

Treino: O bebê não só já anda, como também corre, adora enfiar o dedo na tomada, a testa na quina e os seus controles remotos na privada, portanto: Corra atrás dele mamãe! Esse é o treino aeróbico! Você também vai malhar braço, pois, após o dia inteiro longe de você, o bebê não vai querer sair do seu colo. Portanto prepare-se para desenvolver as mais variadas atividades com o bebe no colo: Falar ao telefone, escovar os dentes, mexer panela, abrir e fechar portas e por aí vai. Lembre-se de trocar o bebê de braço de vez em quando ok????

Passo 5: Até os 7 anos

Seu filho já saiu das fraldas, não quer mais ficar o tempo inteiro no seu colo, mas ainda dá pra malhar bastante, saca só:

Dieta: Siga a mesma dieta do passo 4 (ela poderá ser seguida, em alguns casos, até os 18 anos)

Treino: Seu filho acha que faz tudo sozinho, mas ele sempre vai te chamar pra ajudá-lo, e você certamente estará fazendo outra coisa, por isso CORRA! Pra pegar a toalha, pra apagar a luz, pra cobrir na cama, pra ajudar a levantar, curar machucado, olhar passar de fase no vídeo game, tirar uma dúvida da lição, e por aí vai! Além disso, ele ainda pede colo com uma certa freqüência. E esse é o estágio mais avançado do nosso treinamento! Pegue-o no colo! Dê um cheirinho no pescoço e o leve pra cama depois de horas brincando. Você vai esculpir todos os músculos do seu corpo e nem vai perceber, pois em cabeça de mãe, aquele menino de 7 anos e 20 kilos, vai ser sempre o recém nascido de 3,200kg que acabou de sair de dentro de você!

Obs: Após o passo 5, algumas mães já são capazes de freqüentar uma academia comum, o que é ótimo! Mas outras gostam Tanto do Mami’s Shape que resolvem começar tudo de novo! É, mãe é mãe!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Amanhã é 26


Quando eu nasci eu entortei o bico da cegonha, que peidou o caminho inteiro carregando um bebê de 4,5kg. Dizem que a cegonha Velma, que me carregou, pediu demissão no dia do ocorrido e até hoje busca seus direitos junto ao sindicato das cegonhas com LER. No dia que eu cheguei meu pai comprou o Estadão e guardou. Uns 20 anos depois eu achei aquele jornal amarelado, com notícias de um país saído da ditadura, onde se comprava em cruzeiro, cruzado, cruzado novo, sei lá!
Eu fiquei na escolinha, porque minha mãe já era Mothern e trabalhava fora, e o Thiago Brito, meu coleguinha, bateu a porta no meu dedo indicador direito quando eu tinha 3 anos. Minha unha nunca cresce nesse dedo que é o terror das manicures.
Não fui uma criança sozinha, porque tive primeiro um irmão, cujo passatempo predileto era cortar os cabelos das minhas Barbies com tesoura de papel, e na falta das bonecas o meu próprio cabelo servia; e depois uma irmã, que adorava me ver me maquiando e sempre quis ser como eu (tadinha hehehe).
 Eu tive um cachorro que chamava Feliz e que eu achei na rua. A gente ia pra escola na Brasília verde da minha mãe e o Feliz ia correndo atrás.Era quase certo que a brasília ia quebrar uma vez na semana, aí o Garcia vinha e levava a gente pra escola. O Garcia era mecânico e grande defensor dos animais, por isso dava também uma carona pro Feliz voltar pra casa. Eu apanhei da Talita.
Fiz muita roupinha de boneca, li Monteiro Lobato e descobri que eu queria ser escritora!
Fui a adolescente de 13 anos mais feia do mundo! Quis ser bailarina, jornalista, relações públicas, professora. Acabei advogada - mas continuei escritora.
Estagiei em uma cadeia feminina, vi muito sofrimento e percebi que a gente só muda o mundo quando a gente muda.
Voltei pra São Paulo e me apaixonei pelo meu chefe! Meses a fio de paixão platônica, e acabei conquistando o coração do escorpiano. Sabe quando a gente quer ser muito fêmea, e diz que não acredita em príncipe encantado, alma gêmea e tampa da panela? Pois é, caí do cavalo (branco)!
Conquistei Little Big, fui namorada do papai, sonhei em casar pela primeira vez e fui pedida em casamento.
Então tudo o que já tinha acontecido foi fichinha perto do grande acontecimento! Eu era mãe!Durante 9 meses eu tive dentro de mim uma revolução, que quando nasceu me mostrou que nada foi por acaso, que durante todos esses anos eu caminhei na direção dele, daqueles olinhos que viam o mundo pela primeira vez mas que já eram tão sábios!
Eu amamentei, troquei fralda, dei banho, brinquei e brinquei e brinquei... Voltei a trabalhar e me senti culpada, chorei de saudade e quis desistir. Eu já era mãezíssima, daquelas que fazem bolo de cenoura e pedem pra levar um casaquinho.
E assim se foram 26 em 10 parágrafos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Vai tomá no SUS!


Devido ao meu já divulgado medo de chegar resfriada ao hospital e ter a perna direita amputada por um médico boliviano numa maca de corredor, evito freqïuentar emergências.
Quando o Theo nasceu tive que superar o medo, já que ou tinha uma parto Juma do Pantanal domiciliar, ou ia pra maternidade. Claro que ameacei o Big de morte caso ele se afastasse de mim durante o trabalho de parto.
Vocês bem sabem que tudo correu bem nas breves 14 horas de trabalho de parto, o Theo nasceu forte e saudável, fez amizades no berçário da maternidade e eu saí de lá andando com as duas pernas! Como pessoa que ainda crê na humanidade, tive que dar o braço (e as pernas) a torcer: Emergência de hospital não era uma coisa assim tãaaao ruim.

Não pestanejei então quando a pediatra do Theo indicou uma médica da Sta Casa de São Paulo pra dar uma olhada nos rins dele. Marcada a consulta fomos eu e minha cria lá pra Sta Cecília, no final da rua da consolação. O Theo todo brejeiro com calça cargo branca e body azul e caramelo, eu de salto alto.
Chegamos no lugar, e, mais uma pra série perdida em São Paulo, eu não sabia onde a médica ia atender a gente.

Nessas horas eu paro por uns momentos de acreditar que a humanidade deu certo! Estava eu com um bebê de nove quilos em uma mão, uma bolsa de uns 10 na outra e ninguém, nenhuma vivalma pra me oferecer ajuda! Beleza, sou mulher pra caralho, o suficiente pra ficar perdida de salto alto, no paralelepípedo com o Theo no colo.

O lugar era enorme, tinha muitos prédios, muitos carros e seguranças que não sabiam dar informação. Chaguei numa capela com o dedão já formando bolha na abertura do peep toe, e achei um transeunte que me apontou vagamente a direção do prédio de especialidades pediátricas. O Theo enquanto isso achava tudo muito legal.

Entramos no prédio, antigo, muito antigo, com escadas demais pra ser um hospital pediátrico e eu vi que meu pesadelo com o médico boliviano era fichinha... A sala de espera era um salão gélido, com bancos de plástico daqueles rodoviária anos 80, que eram insuficientes pra tantas mães com seus bebês e crianças. Uma televisão de 19 polegadas dentro de um quadrado de grades dava o toque final da decoração branco-suja do salão. Cheguei na recepção e falei que tinha hora marcada com a Dra. Fulana. A recepcionista era até esverdeada de tão funcionária pública. E qual não foi minha surpresa quando a mulher verde abriu a porta e mandou que eu entrasse no hospital e procurasse a médica! Quando eu perguntei onde devia procurar ela respondeu: Se vira. SE VIRA! vaca! mal comida! verde! como assim???

Bom, a consulta estava marcada, eu já estava lá e ela já tinha aberto a porta do corredor pra mim. Passei por uma rodinha de medicas e enfermeiras que olhavam animadas um catálogo da AVON enquanto na espera bebês berravam. Perguntei pela doutora fulana mas, e foi aí que eu percebi, assim que passei por aquela porta sem um jaleco branco eu ficara invisível, inaudível, eu era inexistente.
 Continuei até virar a esquerda e dar de cara com uma outra médica, sorridente e aparentemente mais solícita a me dar informações. Engano meu, Ela falava ao celular com alguém que aparentemente estava fora do país enquanto uma mãe que me parecia muito sozinha e preocupada segurava um bebê de mãozinha enfaixada.
Nesse ponto eu tive certeza de que a raça humana foi resultado de um sério acidente laboratorial!
Eu já ia continuar o meu tour de cortar o coração quando fui abordada por uma médica (ou residente, ou estagiária???) extremamente jovem que após analisar as vestimentas do Theo, que ainda achava tudo muito legal,  me disse com propriedade: "Eu acho que vocês estão no lugar errado".

Você acha gata? Eu tenho certeza! Nós estamos no lugar errado! No país errado! No mundo errado! Quando foi que ter o coração arrancado cirurgicamente virou pré-requisito pra ser pediatra do SUS? e porque você tinha tanta certeza que nosso lugar não era lá? Porque eu era uma mãe branca, com um bebê branco que aparentava morar em uma casa com saneamento básico?  Não que aquilo tudo fosse novidade pra mim, que esse país é injusto, desigual e sacana todo mundo está careca de saber, mas é tão cruel quando você está com o seu filho no colo e tudo te dá as costas. Me coloquei no lugar de cada mãe naquele prédio, sentada naquela sala suja olhando praquela vagabunda da recepção, ou num consultório de alguma recém-formada que vai tratar seu filho como se fosse um animalzinho sem dono... Em outros tempos me daria vontade de gritar, ligar pra imprensa, tirar satisfação com o diretor do hospital... mas naquele dia eu só senti foi uma tristeza muito grande e, por incrível que pareça, uma culpa muito grande quando aquela mesma gênia que chegou à conclusào de que eu estava no lugar errado me levou até a clínica onde eram atendidos os pacientes que pagavam a consulta.

Tinha elevador, água, cafézinho, TV de plasma e as recepcionistas eram uniformizadas e bem alimentadas. O Theo foi atendido na hora certa, e na saída o segurança já esperava a gente com o táxi de portas abertas.
Ah, detalhe, fui informada no caminho de que não se marca consulta na Unidades do SUS de especialidades pediátricas da santa Casa de São Paulo. Lá pra ser atendida você e seu bebê precisam exercitar desde cedo seu direito sagrado no Brasil de ser feito de otário, ou seja, chegar cedo, muito cedo, acampar na fila no sereno com um bebê de colo para, quem sabe, conseguir depois de 6 horas encontrar a médica no labirinto que é o corredor da pediatria. Antes, é claro, que comecem as consultas particulares agendadas pelo especialista.

Já dizia o saudoso Renato Russo: A humanidade é desumana!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Corra Mamãe, CORRA!

Nem tudo são flores... Ou melhor, nem tudo são sorrisinhos, cheirinho de bebê, descobertas, carinhos.
Ser mãe tem um lado negro da força, que é na verdade uma parcela considerável da tarefa. Mas como a gente é mãe, e mãe é tudo boba mesmo,  a incursão no lado negro sempre vale a pena quando vemos o resultado!

Mas eu seria desonesta se não compartilhasse aqui os sentimentos nada nobres que podem passar pelo coração de uma mãe. Eu quis sair correndo!

Da minha casa, do meu espelho, do choro do meu filho com febre, do meu apartamento, da ex do Big, de pessoas inconvenientes da família que eu simplesmente não posso fazer virar fumaça... Eu quis chorar num cantinho, sozinha, por uns 20 minutos ouvindo Shakira cantar "Si te vás". Eu quis levantar da cama, fazer uma escova, botar um salto alto e ser feliz!

Mas o Theo tinha tomado vacina e chorava muito, com febre! Eu estava com sono, muito sono, preparei um banho pra ele, pra tentar baixar a febre. Minha cabeça explodia com aquele chorinho insistente. Peguei ele no colo e como se eu apertasse um botão de "eject" ele vomitou..
No meu cabelo, no meu peito, na minha perna, no meu chinelo. Merda. Vomitou de novo. No chão, no espelho, no carrinho dele e na girafa de pelúcia.
Coloquei ele no berço todo vomitado e fui limpar o estrago. Foi então que eu vi. Uma mulher ou um saco de batatas? Eu chorei. Sentei no chão vomitado e enquanto ouvia meu filho chorar chorei também. Eu não consigo ser tudo! Eu não preciso ser tudo...

Uma mãe de primeira, a madrasta mais legal, a atual mulher perfeita pra ex mulher, a terapeuta familiar pra familiares que não querem fazer terapia, a advogada bem empregada como auditora em banco, a namorada gostosa do meu Big, a mulher bem resolvida com seu corpo pós maternidade, aquela que consegue ficar mais magra do que antes de engravidar, a blogueira que só escreve textos bem humorados.

Eu tava chata, triste, acabada. Eu não tinha graça nenhuma. E tinham vomitado em mim Porra (No quesito vomito não importa se foi do seu filho, você sempre sai humilhada da situação).

Fica a dica.
1. Vacina de pneumonia da uma reação do caralho. Prepare-se com antecedência.
2. Chorar é sempre bom nessas horas.
3. Sentar no vômito não.

Ps: Se eu conseguir ser só boa mãe e madrasta, a namorada gostosa e continuar empregada já to feliz! O Resto, que se foda que eu sou FODA!!!

Ps2: O Theo é lindo demais! E ele pode vomitar em mim denovo que eu não guardo rancor, só não mira no cabelo né filhote...


Ps3: O Big me acha gotosa pra caralho. Foi ele que disse, juro!

Ps4: Foto do Theo tirada pelo paparazzo Little Big.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dogmas da Pós-Maternidade


Depois de 9 meses de gestação, e agora após 4 meses de exercício 24 por 48 da função mãe-do-Theo, eis que me vejo já discorrendo um tratado sobre todas as mãezices que minha mãe fez comigo e eu me vejo repetindo, aliás, esse é o meu primeiro dogma da maternidade. Segue a singela lista:

1. Se você acha que vai virar mãe e fazer tudo diferente do que sua mãe fez com você... I'm so sorry baby! Você é sim uma cópia malacabada da sua própria progenitora, isso inclui o apelido vexatório na porta da escola e o corte de cabelo xitãozinho-e-xororó na 3a série;

2. Quando o bebê nasce o corpo da mãe desenvolve mais 4 braços. Eu agora, por exemplo, digito o post, dou de mamar, tiro o esmalte, mudo de canal e bato palma ao mesmo tempo;

3. Mãe acha limpar com saliva a coisa mais lógica do mundo. Ela já tirou cocô da sua bunda, você já vomitou nela, babou nela, mijou nela...  Agora me dá um bom motivo pra ela não poder passar cuspe na sua cara!

4. Se um dia você tiver vergonha porque sua mãe dança esquisito pode ter certeza que a culpa é sua. As coreografias pra fazer o bebê comer, tomar suco ou não chorar enquanto a mamãe toma banho são elaboradíssimas.

5. Depois que a gente é mãe passa a ter muita, mas muita raiva de má mães. Ana Carolina Jatobá, A mãe da Maísa e  a Tessália (vamo combiná que deixar a filha ao léo pra entrar no Big Brother e se esfregar embaixo do edredom com um albino que já tinha namorada não é coisa de boa mãe fazer) deveriam ser castradas manja? Solução radical já, Tolerância Zero!

6. Na mesma linha, pessoas que não deveriam ter filhos; Segue o top five do gênero masculino.

1o - Alexandre Nardoni
2o - Pai do Alexandre Nardoni
3o - Mick Jager
4o - Gugu Liberato
5o - Michael Jackson

7. Mãe sempre tem razão quando manda pegar um casaquinho, não comer cachorro quente na rua ou não tentar imitar o Circo do Seu Léu na bicicleta.

8. A gente vira um poço de altruísmo, porque bem lá no fundo a gente sabe que o motorista imbecil do carro da frente já foi um neném, que a mãe dele cantava Saltimbancos pra ele dormir, tomava a tabuada e tirava satisfação na escola quando ele apanhava. Portanto, em consideração às mães de todos os babacas do mundo, a gente acaba ficando mais tolerante. (Sobre essa assunto eu sugiro a música "Saiba" do Arnaldo Antunes... Saiba, todo mundo foi neném, Hitler, Einstein e Sadam Hussein...)

9. Sua bondade aumenta, sua tolerância aumenta, sua paciência aumenta, enfim seu coração aumenta. Só isso explica eu ter alugado uma maquininha de tirar leite pra ordenhar a Vaca Tussa (essa da Vaca Tussa é ótima. Meu Primo de 5 anos: Sabe a Vaca Tussa? Minha irmã Olho Junto: não é a Vaca Tussa, é nem que a vaca tussa! Meu primo: Ahh, então você também não sabia que ela chamava Tussa...) que vos fala e doar o leite (litros!) que sobra no sutiã 84 pros bebês sem leite do Hospital da USP.

10. A gente olha pra trás e tudo que passou não foi nada, não teve graça nem importância. A maior aventura que pode existir é poder olhar pra alguém e chamar de filho.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A mãe e o GPS


Às vezes nós subestimamos a velocidade com a qual uma criança é capaz de ficar traumatizada. Pense na sua infância, ou melhor nos seus traumas de infância e veja quão singelas foram as situações que os causaram.
No meu caso por exemplo, bastou tomar um caldo, seguindo de um rola na saudosa praia da Sununga em Ubatuba (onde caiçaras surfam em "aspirinas", o que é muito legal de se ver quando você não acabou de engolir 6 litros de água salgada e perdeu a parte de cima do bikini na frente dos amigos do seu irmão). Pronto! Trauma de mar.
Depois teve o clássico filme "Conta comigo", no qual uma turma de meninos sai a procura de um outro menino, e na ausência de qualquer adulto responsável acampa no meio do mato, conta histórias de terror nojentas sobre gordos que vomitam, encontram o menino morto na linha do trem e no final, já todos adultos, descobrimos que os amiguinhos morreram e o único que sobrou foi o cara que contava histórias de terror de gosto duvidoso. Fobia de linhas de trem. Outro trauma.

É tão fácil traumatizar uma criança que a gente quase nunca se dá conta.
Como na vez em que Mr. Big tinha que fazer um trabalho da pós, e Little Big e eu voltamos sozinhos da casa de VacaPri. A gente só tinha que atravessar a ponte estaiada (para LB é a ponte Estrelada), achar o estádio do Morumbi e ir pra casa ouvindo Edson Cordeiro cantando Bee Gees (não subestimem o gosto musical de Litle Big). Mas não... Eu não era intelectualmente capaz de achar o caminho de casa após deixar o MEU Big indefeso na casa de VacaPri, a mulher que ligou 12 vezes no celular dele quando soube que nós estávamos namorando. Fora o fato de que chovia granizo, eu estava com o carro do meu cunhado, e Litle Big insistia em pular sobre o câmbio do carro pra por "repeat" no Bee Gees.

Em alguns minutos eu estava perdida. Numa avenida grande, que tinha outra avenida grande do lado nas margens de um rio que começava a transbordar fazendo com que carros e caminhões lançassem cocô nas calçadas. Eu estava perdida, com o carro alheio, no meio da enchente de dejetos de são Paulo com um menino de 7 anos recém completos. E BIG ESTAVA NO APARTAMENTO MA-RA-VI-LHO-SO DA VACAPRI! Ok, nada podia piorar a situação certo? Eraado. Eu entrei em pânico! No fundo acho que foi tudo culpa do edson cordeiro. desliguei o rádio enquanto me perguntava em voz alta "Onde eu tô caralho? Ai meu deus me perdi com Little Big, o Big vai me matar! Tomara que essa água não suba mais. Onde eu tô???????"

Após ouvir todas essas palavras de conforto, Little Big respirou fundo e fez o que seu pai faria. Assumiu o controle da situação!

"marinha, eu sei onde a gente tá, meu tio trabalha aqui ó"- apontando a editora onde trabalha o titio boa pinta. Estávamos na marginal pinheiros. Ótimo, bom começo. Fiz o único caminho que eu sabia. Fui até meu antigo apartamento na Vila Madalena, e voltei pro morumbi. passamos por várias ruas alagadas enquanto eu tentava fazer little Big encarar aquilo como a maior aventura do mundo.

E assim ele ficou traumatizado. Andar de carro comigo é sempre, desde aquele fatídico dia, um momento de pura tensão! Essa semanas voltamos do oculista só nós e o Theo.
A cada minuto ele me dava um boletim visual imitando a careta do Ervilho na caderinha. Se passaram 20 minutos até que Little Big reuniu toda a coragem que um menino de quase 8 anos pode ter e perguntou: Mari, você tá perdida de novo? Porque eu sei onde a gente tá. Tá pertinho da nossa casa tá, não precisa ficar com medo não.

Pronto. E assim eu consegui fazer com que Little Big adquirisse um senso de localização invejável, uma ótima visão periférica além da enorme capacidade de ler placas de ruas e avenidas em São Paulo. Tudo isso vendo pelo lado bom. Do ponto de vista mais realista, serão anos de terapia pra superar o trauma que eu causei.

Portanto se você é mãe, madrasta, tia, tem amigas com filhos ou simplesmente é nó cega no trânsito paulistano em São paulo como eu, não arrisque gata, compre um GPS.

Vale o investimento agora pra não ter que gastar com o analista depois!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Parto do Princípio


Acredite eu ou não, meu neném já tem oito meses. Sim 8! E eu, como pessoa culta e profunda conhecedora da cultura popular aprendi nos idos anos de 90 com o poeta da minha geração, Cumpádi Uóxinto, que é depois de 9 (repito 9) meses que se vê o resultado (isso com Carla Peres ainda sem Peito jogando o cabelinho de neutrox freneticamente).

Portanto minha gente, daqui a apenas 1 mês, ou 30 dias, ou 4 semanas, o Theo bate na portinha avisando que chegou, e nada nem ninguém o fará ficar mais uns 2 mesesinhos na minha barriga pra eu me acostumar com a idéia (e pra dar tempo de Big e eu comprarmos nosso sofrido apartamento).

E quer saber, com apartamento ou sem, eu tô é muito da ansiosa em ver a carinha do meu filho, segurar ele pertinho do meu peito, dar de mamar (o que eu espero que ele faça muito, pois continuar com o sutiã 84 no pós-parto ninguém merece).
Mãs, pra tudo isso acontecer, de alguma forma Theo vai ter que sair.

E é nesse momento fatídico que me surge aquela cena de Renascer, na qual a mãe ensanguentada se descabela de tanto gritar e soprar uma garrafa, e penso comigo: A rede Globo não sabe o mal que causou às famílias brasileiras! O ministério da Saúde deveria processar essa emissora de televisão por disceminar o pânico do parto normal entre as famílias. Esses dias, quando falei pro Big ler o capítulo “O acompanhante do parto” do Livro “O que esperar quando você está esperando” – livro este que fará parte da minha Fogueira da Grávida (idéia da Ana, amigona e grávida de Gêmeos – oh God!) juntamente com as minhas meias Kendall e o óleo de Amêndoas Paixão – Big me responde todo sabido: Não preciso ler, é só pedir uma bacia com água quente, toalhas limpas e uma tesoura na hora do parto. HEIN??? E faz o que Dr. Dollitle da obstetrícia moderna? Joga a bacia com água na minha cabeça e se enforca com a toalha? Tudo culpa do Benedito Ruy Barbosa.

Mas voltando ao assunto, pra quem nunca ficou grávida deve ser difícil entender, mas é uma agonia que cresce no mesmo ritmo que a sua barriga, e quanto maior ela fica, mais difícil é imaginar a hora de parir.

Hoje em dia tem cesariana, você agenda o cabeleireiro e a manicure pro dia anterior e chega na maternidade na hora marcada com a sua malinha pra ter 7 camadas de pele e músculos cortadas (além da parede do útero) e aí retiram o seu bebê. OPA! Perái, hora marcada e poder estar cheia de glamour pro seu filho te ver gata já na primeira vez que te olhar tudo bem, mas cortar 7 camadinhas do meu eu? Aí também já é demais.

Outra opção é o parto natural, bem no estilo Juma do Pantanal (vocês perceberam que eu acho exemplos de novela didáticos né?). O parto natural é realizado à moda de nossas avós (no caso de muitos leitores do 44, bisavós). Tem gente que se empolga e faz parto na água, em casa, na sala... Cada um no seu quadrado né. Em linhas gerais rola tudo sem nenhum tipo de analgesia ou intervenção médico-cirúrgica como soro com ocitocina, que serve pra acelerar o trabalho de parto, ou a episiotomia. Esta última é o terror de muitas grávidas, e se trata de um corte realizado no períneo (é minha gente, lá mesmo) pra facilitar a saída do bebê. Apesar de ser tudo devidamente costurado depois do parto, não é nada agradável imaginar a situação, convenhamos. Mas sem esse cortesinho do mal pode acontecer uma coisa ainda mais temerosa, que se chama laceração. Sendo curta e grossa meu bem, não deixou o médico cortar, a cabecinha do bebê sai mesmo assim, lacerando (ó minha Nossa Senhora do Bom Parto, já sinto lágrimas nos olhos) o corpo da mãe. Lacerar é mal!

A terceira alternativa é um parto normal hospitalar. Nesse o bebê sai por onde a natureza mandou que saísse, no entanto tem sempre um anestesista de plantão pra te dar aquele barato na hora da necessidade. Eu sou adepta dessa última opção. Não acho bacana marcar a hora pro meu filho nascer, acho que ele é um serzinho muito do esperto que sabe muito bem quando estará pronto pra sair de dentro de mim, mas também não acho saudável não aproveitar a sorte de parir no século 21 e poder tomar uma peridural. Soprar garrafa é coisa do benedito Ruy Barbosa.

Pronto, decidido qual o tipo de parto preferível (sim, porque se nada der certo, ainda pode ser que role uma cesárea) vem a preparação pro trabalho de parto.

Unindo meus conhecimentos científicos adquiridos em novelas e seriados, ao oráculo dos nossos tempos – Google, eu virei uma verdadeira enciclopédia do parto normal, pode perguntar que tá na ponta da língua minha gente!

Mais uma sugestão do livro-do-mal-da-grávida “O que esperar quando você está esperando” era fazer um plano de parto. Eu achei bem bizarro planejar o implanejável, já que o único que já tem um plano infalível pro meu parto é o Theo, e esse plano consiste em sair de mim de qualquer jeito. Mas sou aplicada e vou fazer o tal plano. Vamo lá:

Preparação pré-parto: To fazendo Yoga e alguns exercícios específicos pra ajudar na hora do parto. Um deles o Theo odeia e chama “sapinho”. É bem ridículo, tem que juntar as mãos e os pés e esticar e encolher umas 15 vezes. Muito fácil pra quem não está com um barrigão de 8 meses colega.

Detecção dos sinais do parto: Ahá, nessa eu to craque demais! A barriga desce porque o bebê encaixa (ai que fofo) e melhora a maldita falta de ar dos últimos meses de gravidez; A bolsa pode estourar vazando líquido amniótico que tem cheiro de água sanitária (detalhe importante pra distinguir se você está mijando na calça ou parindo); você sentirá contrações, primeiro indolores e esparsas, depois mais doloridas e contínuas, até ficarem constantes de 10 em 10 minutos. Aí é hora de ir para o hospital!

A ida para a maternidade: É legal ter uma rota pré-estabelecida e um motorista de plantão pra essa tarefa. No caso do Big entrar em colapso ou não estar comigo na hora, vou ter que pegar um táxi (eu preciso avisá-lo que se isso acontecer eu vou matá-lo com as minhas próprias mãos – vai pra to do list do parto) e ter um acompanhante reserva no pente, no caso ou minha mãe ou o Titio boa pinta ou tia Baranga, são muitas opções. Pensei em montar o bonde do parto do Theo e ir todo mundo pra maternidade na minha escolta.

Enxoval da mãe e do bebê: Devidamente preparados, o do Theo composto por vários macacões fofos, inclusive um do super homem; e o meu dentro de uma bolsa onde se lê a frase “SHE’S LOST CONTROL” em letras garrafais.

Lista de Anestesias que você aceita tomar durante o trabalho de parto (pra ser entregue ao anestesista):

Caros Sr(a) Anestesista do Parto do Theo,

Como eu não fiz 6 anos de faculdade, mais dois de residência e especialização, creio não ser eu a pessoa mais indicada a escolher qual anestesia aceito tomar, mas já que faz parte do plano de parto segue uma lista singela:

- peridural
- morfina
- éter
- RAC
- demerol (com a condição de que eu não morra igual o MJ)
- santo daime
- chá de cogumelo
- mentos com coca cola
- hals preto
- vodka

- aculpuntura

E tudo mais que a medicina e o google permitirem.

Muito Obrigada.

Ps: Apesar dos muitos palavrões e insultos que o Sr(a) e a minha obstetra estão ouvindo agora, sou uma mulher fina e educada e sei que no fundo é tudo culpa do Big, que não está ouvindo mais nada pois já desmaiou.


Tudo pronto! Agora é só imprimir este post e entrgar para as enfermeiras e médicos que participarão do parto.

Brincadeiras a parte, depois de toda a investigação superegodescontrol que fiz sobre o parto e os prós e contras de cada tipo, sei que o melhor que eu posso dar pro meu neném é a chance dele nascer de parto normal. Não tenha medo, parto normal é natural, a recuperação é N vezes mais rápida e eu juro que a cabecinha do bebê fica redondinha depois de algumas semanas hehehehe.

Visitem o site da ONG Parto do Princípio (movimento para o qual o título deste post é uma homenagem) e do GAMA (Grupo de Apoio a Maternidade Ativa). Informe-se e cuidado com cesárias desnecessárias, pois tem muito médico por aí querendo marcar o seu parto entre o jogo de buraco e o Happy Hour!

Sutiã 44 na luta pra que as Ervilhas e Ervilhos venham ao mundo quando estiverem prontos, e não quando vagar a agenda do obstetra!

Parto do Princípio (por Denise Ahrends)
Parto do Princípio
Porque parto com amor
É parindo que me reparto
E sempre me multiplico
Desde o princípio
Parto por inteiro
Com quem vier
Com quem me quiser
Parto com prazer
Parto do respeito
Por uma vida melhor
Parto porque acredito
Que um bom parto é possível
Parto com amor
E por amor vou partindo... ... e parindo

Faltam 4 semanas! Ai meu períneo....

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Família do Futuro



Esses dias, na festinha de aniversário de 2 anos do filho de um amigo nosso, (que é um bebê muito parecido com o diabo da tasmânia versão baby dos looney tunnes) aconteceu um negócio comigo que fez pensar no tipo de família modernosa que eu to construindo.

Na festa tinha piscina de bolinha e outras crianças, o que para Little Big é suficiente pra fazer uma balada; tinha cerveja gelada e amigos de longa data , o que para Big pai é suficiente para fazer uma balada; e tinha crepe e os docinhos decorando a mesa do bolo, o que pra mim tem sido suficiente pra fazer uma balada.

Papo vai, papo vem, Litle Big se acabando nas pinturas corporais e na piscina de bolinha, eu me acabando no crepe e Big pai se acabando na cerveja. O retrato de uma família feliz na festinha de criança (quem diria meus caros, já que um ano atrás era assim que eu era recebida em festinhas infantis).

A balada acabou tarde pra todos nós, eu empanturrada, Big pai meio breaco e Little Big sem os tênis, sem o casaco, e sem a mesma cor de pele com os quais havia chegado na festa. Enquanto Big Pai tomava a última cerveja, sai em busca dos Tênnis e do casaco (Tênnis embaixo da mesa do bolo e casaco compondo a decoração da porta da festa – coisas de Little Big) colocando tudo em Little Big que reclama do calor. Eu tentava explicar pra ele que só ele sentia calor porque estava correndo e pulando e produzindo energia, mas que nós estávamos com frio pois estávamos sentindo a temperatura do ambiente (tá legal, a explicação do calor por causa do pula-pula foi bem tosca, mas com criança não adianta tentar explicar muito elaboradamente). Ele acabou cedendo e colocando o casaco e os tênnis enquanto eu dava graças a Deus por poder mandar a roupa suja dele de volta pra Mãe.

Foi quando aconteceu, mais uma vez, o mesmo erro inevitável de quem nos vê nesse tipo de situação. Uma mulher adulta tentando convencer uma criança a colocar os tênis e o casaco só pode ser a mãe! Ou ainda tentando negociar no Supermercado se leva o Danoninho ou o Chamyto Big, só pode ser mãe! Que pede pelo amor de Deus pra o menino não nadar no fundo, e quando ele pergunta o que é fundo inventa uma unidade de medida baseada nas pernas do pai que faz o menino rir pra caramba, entrar na brincadeira e (ufa!) não nadar no fundo, é mãe né cacete!
Não minha gente, hoje em dia temos 1 divórcio pra cada 4 casamentos no Brasil. Isso formalmente, pois ainda não existem dados para as uniões estáveis e respectivas dissoluções. E como eu bem sei, graças ao bom Santo Antônio, meu chapa, os papais e mamães separados não viram celibatários, pelo contrário, eles tendem a começar novos relacionamentos, casar novamente, ter outros filhos... E assim nasce o que chamam por aí de família prisma, diferente da família piramidal tradicional com pai mãe filinhos cachorro e papagaio. Eu prefiro chamar de família do futuro!

Aliás, eu queria mesmo era difundir esse conceito pra todo país pra que situações como as que eu passo com Little Big não voltem a acontecer. Geralmente ele finge que não escuta a Tia desconhecida no supermercado: “Nossa, como seu filho é lindo, é a sua cara” haahahahaha
Ou o salva vidas da Praia: “Acho melhor obedecer sua mãe hein rapaz!”
Nessas horas ele costuma olhar pra mim e me lançar um olhar de missão secreta, do tipo, “Mal sabem eles que você na verdade é minha amigona, a minha Marinha, e não minha mãe”, e eu correspondo com um olhar “Tolinhos” e saímos contentes do recinto zombando da ignorância alheia.
Mas nesse dia da festinha seria diferente, pois Little Big, tanto quanto eu, queria era respeito para com a nossa família do futuro, ora bolas, Mãe é Mãe e Mari é Mari! Eu até tento colocar um pouco de ordem na bagunça, mas não sou mãe, e isso faz toda a diferença.

Assim que o pobre gordinho já meio embriagadado lançou, enquanto eu enfiava o moleton pela cabeça, desarrumando mais ainda o cabelo da criança: “Se preocupa não Little Big, que mãe e tudo igual” Biggzinho repondeu na Lata “Mas ela não é minha mãe!”.
Confesso que há tempos eu esperava ouvir algo do tipo, e suspirava de alívio sempre que a atitude dele era de indiferença com essas reações que a nossa proximidade causa. Já tinha até ficado acostumada a lançar o olhar secreto e sair por cima da situação, mas nesse dia ele resolveu responder e, no duro, a minha primeira reação foi ficar triste pra caramba. Little Big é parte importantíssima da minha vida hoje, e foi quem acendeu em mim o muito de mãezona que nem eu sabia que tinha. Aprendi sobre Pokemons (que segundo ele “involuem”) e sobre o Ominitrix do Ben 10, sobre Play Station e sobre como contar histórias para meninos. Aprendi que se eu disser pra ele que cobras comem ratinhos de “alobatório”, esses ratinhos vão ter óculos de grau e avental. Aprendi a dar bronca na hora da mãnha, aprendi a perdoar a birra, aprendi a beleza que é ver alguém se transformar em irmão, e ter a chance de acompanhar isso pro resto da vida.
Enfim, meio sem querer esse menino acabou significando muita coisa pra mim. Mas mesmo assim, eu não sou mesmo a mãe! E quer saber, foi bom um de nós ter tomado essa atitude, porque logo depois, chegando no carro eu ganhei um abraço todo suado e com a tinta da pintura do batman, enquanto aquele menino esperto olhou pra mim e disse: “Sabe, já tava cansado de confundirem a gente, você não é minha mãe, você é a Minha Mari!” É Little Big, Sou mesmo! E essa é a nossa família do futuro, que daqui uns 3 meses ganha novo integrante!