Mostrando postagens com marcador Little Big. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Little Big. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A maternidade nao eh para os fracos!


"Personagem Favorito da Turma da Mõnica. Alou maurício de Souza, faz aí uma versão feminina do Louco, é só colocar ela com um filho de 2 anos e meio e um enteado de 10. Ah e sem tempo pra depilação OK? Grata!"

Oi Minha gente bonita e que faz! Eu to sumida (again) mas vamos lá que tem assunto pra caramba por aqui!

Vamos ao up date: As ferias de julho estao chegando (oi! Isso significa que eu vou ter que pagar um acrescimo de 40% na escolinha
, eu estou totalmente viciada na novela das sete ("Amadinhas") e o Theo e o Lucca estão tentando me enlouquecer aos poucos.


Opa, enlouquecer? Como assim? Pensarão vocês, meus caros leitores. “Coitada, já é louca e tá botando a culpa nas criança tudo!”
Não, não é isso gente, é parte de um plano maligno das forças de oposição (leia-se, mulheres magras, sem filhos, com cabelos sedosos e não-vomitados que sambam na minha cara de fio-dental). Elas querem me derrubar! Porque é muito mais fácil ser mulher sem-filhos do que mulher com-filhos.

Mulher com filho muda até de nome né, vira mãe minha gente!

E daí você acha que vai ser mãe, sua vida vai cheirar a talco Johnson; a trilha sonora vai ser Palavra Cantada perguntando o que que tem na sopa do neném (sopa essa que nem foi você que fez, porque você tem uma cozinheira/nutricionista que passa horas a fio descascando mandioquinhas); seus dias serão um caminhar sobre nuvens macias e, apesar de todo o trabalho que você, pessoa linda e consciente que é, sabe que vai ter, tudo valerá a pena quando seu filho/a dedicar o diploma de física quântica para quem? quem? Quem? A mãe! Essa mulher que é uma versão melhorada e corporativa da Luiza Brunet e que sempre esteve ao lado dele! E aí então tudo vai ter valido a pena...

Deixa eu te avisar antes que você se iluda amiga: ISSO NÃO VAI ACONTECER!

A sua vida vai cheirar a um misto de pescoço azedo com cocô/xixi e muito leite; a trilha sonora vai ser ACDC berrando “I´m on a highway to hell” com um misto de choro de birra e uma voz muito insistente perguntando: “Oooohh manhê onde está o meu _________?”  (preencha aqui com TUDO  o que uma pessoa pode perder na vida); seus dias vão ser um caminhar desviando de carrinhos e videogames espalhados a esmo pelo chão e, apesar de todo o trabalho que você, pessoa descabelada e ensandecida que é, teve e NINGUÉM te avisou, você ainda vai ter que assistir seu filho/filha dedicando o diploma da faculdade para quem? Quem? Quem? Valeska (ou algum outro nome estapafúrdio). Porque né, a Valeska é a namorada do seu filho e, apesar de você ter se esfolado toda durante anos, a Valeska, que conhece ele a menos de 3 meses, merece muito mais um diploma de Física Quântica do que você! (Pausa pra eu me jogar de cabeça e arrancar os pelinhos dos meus cílios lentamente – crianças, não façam isso em casa).

Daí que eu to louca assim porque, meudeusdocéupqp, eu tenho que, TODO O SANTO DIA, lutar jiu jistu com o Theo pra colocar o uniforme da escola nele e ARRASTÁ-LO por todo o hall do elevador. Quando eu consigo, enfim, entrar com ele no carro ele chora e tosse tanto que VOMITA em cima de mim. FIM.
Corta a cena pra cara do meu marido tentando limpar O CARRO, eu tentando limpar O FILHO e o filho correndo VOMITADO pelo estacionamento do Prédio. Corta a cena novamente para a cara dos vizinhos que, estarrecidos, indagam-se: e a Mãe? Quem vai limpar a Mãe?

Então eu vou trabalhar, depois de toda essa catástrofe escatológica matinal e depois de demorar mais 40 minutos pra escolher com que roupa eu ia (quem demora pra escolher a roupa do trabalho põe o dedo aqui, que já vai fechar!). Tenho um dia de muito trabalho, muita reunião, nenhum almoço (aula de Espanhol na hora do almoço é tendência tá gente) e chego em casa para o descanso das justas... Ah tá! Pobre de mim. A noite é hora de outra catástrofe.

 A catástrofe da lição de casa.

Tudo começa com a seguinte cena: Eu chego e pergunto se o Lucca teve lição pra casa. Ele responde que não. Eu pego a agenda e vejo que não só teve lição como tem também uma pesquisa pra fazer. Boto ele pra fazer a lição na escrivaninha do quarto. Depois de 5 minutos vejo que ele ligou a TV. Desligo a TV. Dou bronca e depois de 30 segundos ele vem me dizer que está com uma dificuldade. Olho a apostila e percebo que ele nem começou a fazer os exercícios. Explico tudo. 45 minutos depois ele me chama dizendo que terminou. Vou corrigir e ele respondeu a pergunta 1 na 3 e a 3 na 1. Mostro que está errado. Ele chora e diz que está cansado. Pergunta aos universitários: EU TAMBÉM POSSO CHORAR E FALAR QUE EU ESTOU CANSADA? Hein? Pode isso Arnaldo? Ou a Regra é clara e, mãe que é mãe só chora de felicidade quando filho passa no vestibular ou de orgulho nas festinhas da escola?

Alguém sabe COMO LIDAR? Como acabar com os escândalos matinais e o show da lição? Alguém já passou por isso e tem um conselho sábio? Alguém tem um ombro amigo? Ao alguém quer me dar um abraço? Moro em sao Paulo, proximo ao estadio do Morumbi. GRATA.

Mas eu to bem, to ótima, acho que tudo isso é só uma fase e logo logo o Lucca vai estar levando a Valeska pra dormir na minha casa e vai ser a vez do Theo não querer fazer a lição. Pensando bem é melhor não pensar no futuro! Afinal de contas ser mãe é viver intensamente, cada dia, cada momento e lembrar-se sempre que, em casos de vômito e lição de casa não vale pedir ajuda pra se limpar nem desistir, afinal de contas, a Regra é clara: a Maternidade não é para os fracos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Buenos Dias Noel! Bye Bye Ken...

Uma das coisas mais legais do Natal era esperar pelo presente.

Sabe aquele friozinho na barriga da véspera, sem saber se aquele brinquedo que você tinha pedido de Natal ia chegar. E as vezes não chegava. Sei lá, eram tempos difíceis, de cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cortar zeros e levar 500 mil dinheiros pra comprar uma esfiha e uma Itubaina na cantina da EEPG Júlio de Mesquita Filho (e ainda tinha que sobrar troco pra subornar a Talita, ou então ela quebrava o estojo do Paraquai da Juliana Martins e botava a culpa em mim... Mais sobre a Talita, favor ler AQUI).

Enfim, uma das maiores decepções da minha vida (excluindo o dia em que eu assisti ao vídeo da Britney cantando sem playback. É de deixar qualquer pessoa abalada...) ocorreu num Natal.
Eu tinha pedido um Ken, da Barbie sabe?

 Porque afinal de contas eu não tinha nenhum Ken. E toda vez que eu ia brincar de Barbie com a minha prima, Milena, a minha Barbie mais velha, que tinha sofrido com um dos ataques terroristas do meu irmão Pedro e sobreviveu, porém com sequelas (leia-se careca) fazia as vezes de macho. A gente colocava um camisetão nela, calça larga e paletó e a Maria Gadú das Barbies Barbie Careca dava altos pegas nas nossas Barbies.

Era uma coisa bem lésbica que me deixou com sequelas psicológicas pro resto da vida.

Enfim, eu precisava de um Ken. Um Ken era o brinquedo mais desejado e necessitado EVER! E eu fui modesta hein! Porque nessa epoca eu ia brincar na casa da minha amiga Livia e ela tinha o castelo (CAS-TE-LO) da Sheerra, com direito a corujito e tudo mais!

Lembro como se fosse hoje da manha desse Natal.  Eu corri pro pe da arvore e fui logo rasgando o papel do presente e assim que consegui abrir eu senti a maior decepcao de toda a minha vida. Tentei disfarcar, porque eu ja sabia a algum tempo que o papai Noel entregava os presentes numa sacola do Mapin, e os meus pais tinham que pagar por isso. Mas foi mais forte do que eu. Eu chorei um choro esmagado, que sai por aquele cantinho ingrato dos nossos olhos, incontrolavelmente.

La, dentro de uma caixinha fechada com durex estava ele. Que deve ter custado naquela epoca alguns mihoes de dinheiros dos meus pais pro papai Noel, que teve por sua vez que ir buscar la no Mapin. Ele. O Galinho Buenos Dias. O despertador Paraguaio mais odiado de todos os tempos.



E foi assim que eu comecei a odiar o Natal. Teve tambem um incidente envolvendo o Noel e a minha irma, mas isso nao foi nada perto do Buenos DIas .

Mas agora eu sou mae e nao preciso envolver meus filhos em questoes polemicas sobre Kens e Galinhos Buenos Dias. Eles vao sentir o friozinho na barriga de esperar na vespera como eu senti duranta varios Natais.

Conviccao reafirmada pela espera do presente de Natal, eu ainda pretendia denegrir a imagem do Noel para os meninos e avisa-los de que ele costumava confundir Ken com Gainho Buenos Dias, mas o marido achou melhor deixar o Rancor de lado, afinal de contas eh Natal, a decoracao da Paulista esta linda, e a gente podia ate dar uma passadinha la no Ibirapuera pra ver a arvore! (Voces perceberam a tecnica? Eh assim que ele faz, ele me confunde gente, tira o foco sabe?).

Providenciei os presentes dos meninos no Mapin na Internet, todos chegaram lindos e embrulhadinhos para serem devidamente escondidos ateh a hora do Noel chegar e levar todo o credito. Mas foi ai que houve um acidente de percurso. O Lucca vai passar o natal desse ano com a mae dele, motivo pelo qual ele iria abrir o presente que tanto queria, e la dentro do pacotge ia estar o que ele queria (e nao um despertador que te acorda em outra lingua), e a gente nao ia estar la pra ver...

Resultado: Lucca ganhou o presente antes do Natal e o Theo ficou traumatizado, porque eu nao deixei ele abrir o presente antes tambem.

Pronto, trauma de Natal passando de uma geracao pra outra! Mas pelo menos dentro da embalagem do Presente dele nao vai ter um Galinho Buenos Dias.

FEIZ NATAL!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Carta para um pequeno grande garoto

Meu carinha,

hoje eu sai correndo do trabalho, me desabalei  tresloucada pela ponte Cidade Jardim e devo ter tomado uma multa na marginal. Eu estava preocupada porque me ligaram da escola dizendo que você não estava bem. Como eu soube que você teve febre no final de semana corri o máximo que pude. Cheguei na escola e subi as escadas pulando os degraus de dois em dois, igualzinho voce faz. Perguntei por voce na recepcao e a secretária ligou pra coordenadora e pediu pra te chamar. Sua mãe estava lá pra te buscar.

A professora te tirou da sala e disse: Lucca, sua mãe está aqui! Pode ir embora!
E nesse momento você se sentiu aliviado, sua febre, seu corpinho cansado, a tosse, nada disso mais incomodava. A sua mãe estava lá! Tinha saído do trabalho e tinha dado um jeito de ir te buscar! E ia cuidar de você, te fazer um chá, ligar pro pediatra pedindo instruções, iria correndo na farmacia pra comprar seu xarope e passaria o dia todo com voce.

Entao voce veio arrastando a mochila pelo patio, ja pensando no abraco e no beijo que daria na mamae, ia sentir o cheirinho dela e tudo ia ficar bem!

Mas quando o inspetor de alunos abriu a porta quem estava la era eu. Eu tinha saido do trabalho. E voce nao pode disfarcar a carinha de decepcao quando me viu.

E por mais que eu tenha te feito cha, tenha ligado pro pediatra, tenha corrido as pressas na farmacia, eu nao sou ela.

Meu querido, eu espero que um dia, quando voce crescer, e entender que os adultos nao sao tao sabidos quanto a voce pensava, nos possamos rir muito desse dia, porque hoje, tudo o que eu posso te dizer 'e que eu sinto muito pelo mal entendido e pela sua carinha de decepcao, e que eu quero que voce melhore logo. A Marinha te ama!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O não-dente, o PUM e o creme sem enxágüe

O Não-dente





Gente, tá faltando um dente no Theo. Sim, isso mesmo. Nasceram todos os que já deveriam ter nascido até agora, menos um! Bem da frente!

Então ele tem 1 ano e 10 meses e já tem janelinha. Abre um sorriso e fica dente, dente, dente, não-dente, dente, dente, dente, dente... Eu confesso que já tinha percebido o não-dente há algum tempo, mas pensei que era um dente com preguiça de nascer, que logo, logo o Theo ia começar a babar horrores e o não-dente viraria dente.

Acontece que durante uma das minhas visitas quinzenais à dentista (sim, de 15 em 15 dias eu levo o Litle Big na dentista pra apertar o aparelho ortodôntico) a Dra. Bia deu uma olhada no não dente e falou: - Vai ter que dar um pique com o bisturi pra esse dente sair viu.

Pronto, quer me matar do coração? Como assim bisturi? Tá Louca? Bebeu? Eu sabia que essas anestesias de dentista iam deixando a pessoa meio maluca com o tempo, mas essa foi demais! Bisturi na gengiva do meu filho só por cima do meu cadáver!

Depois dessa reação totalmente plausível, vinda de uma mãe digna, glamurosa e controlada, fiz o que qualquer uma de vocês faria. Liguei pro pediatra pra falar mal da dentista:

- Alô, Dr. Marcelo? É a mãe do Theo e do Litle Big tudo bem? (sim, eu minto nessas situações, porque né, até explicar que eu sou a madrasta, mas que sou eu que levo no pediatra, mas que nem era sobre isso que eu queria falar... Mais fácil mandar um “mãe do Lucca” despretensiosamente).


- Oi Mariana, tudo bem. Algum problema com os meninos?


- Ai Dr. Marcelo, problema, problema não tem. Na verdade não com os meninos. É a dentista deles que tá louca de pedra, coitada. Você acredita que ela cogitou abrir a gengiva do Theo no bisturi pro não-dente dele, sabe aquele, que eu já mostrei pro Sr. Umas 253 vezes?, então, pra ele nascer... Tá bem louca ela né, coitada? Então to te ligando pra saber se você conhece algum dentista que não bebe água da privada pra me indicar.


(depois de quase engasgar e rir durante 2 minutos)


- Mariana você não existe! Calma! É supernormal acontecer isso! E a gengiva é aberta sem maiores traumas ok? Mas como eu já tinha te respondido nas outras 253 vezes que você me perguntou sobre o não-dente, vamos esperar o Theo fazer 2 anos e ver se o não-dente vira dente, ok?


- Dr. Marcelo, por acaso a Dra. Bia te ligou? É um complô?


- Tchau Mariana! Bom dia!

Tu, tu, tu....

Por isso eu vou passar os próximos 2 meses fazendo todo o tipo de simpatia existente pro não-dente nascer. Alguém conhece alguma? Alguém? Oi?

*        *        *

O Pum

O Theo agora avisa quando solta Pum! Olha bem pra nossa cara e fala em alto e bom som: PUM!

Daí que eu estava domingo com ele no supermercado. Eu empurrando o carrinho e ele sentado no bebê conforto. Eu falava o nome das frutas e ele repetia emendando o único elogio que ele sabe: LINDA.

Muita Mexerica LINDA, Banana LINDA e Pera LINDA depois, quando o supermercado todo já tinha se convencido que também queria ter um filho pra ouvir ele chamar a Mexerica de LINDA ele manda. PUM! E corredor de legumes todo vem abaixo rindo.

Eu pergunto orgulhosa: " Quem soltou Pum filho" ele responde com cara de sério: "A mamãe".

Humilhação em Supermercados. A GENTE VÊ POR AQUI!

Antes de alguém comentar eu quero esclarecer que NÃO FUI EU QUEM SOLTOU O PUM!

*        *        *

O creme sem enxágue

Fechamento de trabalho, correria all day long pra fechar todas as pendências, passo 10h aqui no banco, saio e pego 2 carros quebrados no caminho, antes de chegar em casa passo no mercado pra comprar leite ninho e consigo gastar R$38,00 (oi? 38 pilas? Nestlé faz fortuna no meu fracasso), chego em casa, brinco de carrinho, faço mamadeira, dou danoninho,entro na Toca, assisto Mecanimais, Patati-patatá, Backyardigans, aí entro no banho junto com o Theo (ufa).

E só meia hora depois que o banho terminou eu percebo que tem alguma coisa mto errada com o cabelo dele. A louca que voz fala não tirou o condicionador da cabeça do filho. Então amigos, se o meu marido perguntar digam que a Johnson&Johnson lançou um Creme sem Enxágue infantil. GRATA.

Antes que alguém pergunte, não, nem passou pela minha cabeça colocar ele de volta o banho.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

FÉRIAS - EU TE ODEIO!

Ah as férias de julho! Férias de julho me lembravam tantas coisas boas! Primeiro, 4 semanas sem aula, sem lição de casa, sem provas, sem ter que acordar cedo, sem buyling (sobre esse assunto ler o post anterior).

Eu geralmente passava as férias de julho na casa da minha vó, que morava a 15 minutos (a pé) da minha casa. Mas não era só eu quem passava as férias lá! Eu, meu irmão, minha irmã, meus oito primos e eventuais amigos nossos também freqüentavam a colônia de férias da minha vó. E era legal demais! A gente comia pão fritinho com manteiga, leite batido com goiabada, brincava de pega latinha (e a Preta, minha irmã, sempre se escondia no mesmo lugar). Todo mundo caia do murinho que separava a cozinha da sala de jantar (mas só o meu irmão, Padrão, rachou a cabeça né, fala aí!). Enfim, a casa da minha vó era a nossa Disneylandia caipira (Preta e Pedro, eu citei vocês de propósito, porque eu sei que vocês me Lêem mas quase nunca comentam. E eu sou rancorosa e levo as coisas pro lado pessoal, portanto, cadê os comentários da família???).

Enfim, hoje eu sei que o que pra gente era a maior diversão de todos os tempos pra minha mãe era um alívio, já que ela, via de regra, não tirava férias em julho. A colônia de férias da vovó era a solução de todos os problemas!

Pois então vamos avançar 25 anos e chagamos até hoje, 13 de julho, data em que o Little Big está de férias e eu não. Vocês, leigos em assuntos maternos podem estar pensando “já li 3 parágrafos e ainda não entendi onde essa mulher quer chegar...” Pois eu explico: Se seu filho (tá, ele é meu enteado, mas é meu filho na prática né galera?) sai de férias e você não, numa cidade como São Paulo, e todos os seus parentes mais próximos estão a mais de 150km de distância, e se seu outro filho não está de férias, bom, é o Armagedon! É um desastre! Um Tisunami na rotina de qualquer mãe.

Explico: Moro num prédio com muitas crianças, todas da idade do Little Big, o que é ótimo porque ele tem muitos amigos. Mas a maioria das crianças freqüenta a já exemplificada colônia de férias da vovó, o que é péssimo porque o prédio fica deserto o mês de julho todo. Renegado à turma dos sem vó, sobram no prédio Little Big, Larissa e Giovana. Essas duas últimas só brincam de Barbie, fora de cogitação (ok, nada contra se ele quiser brincar, as vezes até rola dele se enturmar na brincadeira das meninas e, na boa, não vejo nada de mal nisso, acho aliás coisa de menino muito bem resolvido).

No final das contas ele acaba ficando o dia todo dentro do apartamento, jogando vídeo game, assistindo Nicklodeon e Cartoon, mexendo no computador e LIGANDO NO MEU CELULAR!!!



Agora imaginem a cena, lá estou eu, 9h30 da manhã, sentada na baia do auditado, pegando evidências, levantando fluxo, anotando tudo no meu caderno sem nível (com um surfista na capa – alou pessoal dos suprimentos de escritório, acaba com a credibilidade do auditor esse negócio de capa de caderno colorida, além de ser muito anos 80 né, vamo combiná) e de repente toca meu celular. Número de casa, eu sabendo que o Little Big está lá só com a minha secretária (e fiel escudeira, Di! Te amo mais que chocolate!) atendo. Ele: - “Mari, não consigo abrir o saco de pão”.


E o dia tá só começando...

10h30 – Ele me liga pra perguntar se a Giovana pode ir lá em casa.

12h30 – Liga pra perguntar se precisa comer toda a salada.

14h00 – Quer saber se falta muito pra eu chegar.

15h00 – Liga e eu não atendo porque estou em reunião.

16h30 – Me pergunta, indignado, porque eu não atendi as últimas 6 ligações. Respondo que estava em reunião. Ele quer saber sobre o que era a reunião.

17h30 – Quer que eu dê sugestões sobre o que ele pode fazer porque está de saco cheio de ficar o dia inteiro dentro do apartamento.

18h00 – Liga pra ter certeza que eu já saí.

Pois é minha gente, o post poderia acabar aqui. O dia também. Mas ainda temos o segundo tempo de toda mãe que trabalha. O meu começa quando vou buscar o Theo na escolinha (que graças a Nossa Senhora do Bom Parto não tem férias de julho). Quando chego em casa e os dois se encontram, depois do Little Big ficar o dia inteiro guardando a energia característica dos meninos de 9 anos pra esse momento, minha sala vira palco de ensaio do Circo Du Seu Léu. Eles ficam correndo pelo apartamento (a pé ou sobre veículos de 3 rodas, aqui em casa conhecidos como bibi), gritando um pro outro, ouvindo Britney Spears, pulando, pedindo mamá, água, suco, coca, cachorro quente e até um cachorro de verdade!

As 8h30 amarro coloco os dois na mesa pra jantar (geralmente eu fico sem jantar pra poder agir rápido caso um deles derrube o copo de suco ou queira jogar o prato de comida na parede – juro, já aconteceu).

As 21h30 é hora do banho. Nessas férias eu desenvolvi nova técnica: coloco os dois dentro do Box com um balde de brinquedos e corro pra arrumar os respectivos pijamas.

NOTA: Importante esclarecer que o Big resolveu fazer um curso intensivo de inglês no mês de férias escolares porque né,julho é um mês tranqüilo (PRA QUEM?HEIN?OI? – desculpa, precisava desabafar).

As 22h00 quando está todo mundo limpo e trocado, eu coloco no Discovery Kids pra ver se o sono deles chega. Mas quem chega é o papai e aí, é claro, eles precisam fazer toda a apresentação do Circo du Seu Léu again!

Lá pelas 23h00 conseguimos convencer os dois a deitar na nossa cama (sobre esse assunto ler o post sobre cama compartilhada) e depois de uns 40 minutos os dois dormiram.

23h40 é hora da mamãe tomar banho e arrumar a mochila do berçário pro dia seguinte. Se tudo der certo, consigo dormir as 24h20. Eu já comentei que no dia seguinte acordo as 6h30? Não? Ah então, tem esse detalhe.

Portanto, Férias de Julho, eu te amei, te esperei, te curti durante anos... Mas, posso falar que agora EU TE ODEIO? Pronto, falei.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sobre mães, madrastas, filhos e a coragem no meio de tudo isso


Eu já falei um pouco aqui e aqui e aqui como foi o começo da minha relação com Little Big. De quanto foi difícil no início, como foi nossa aproximação e de quantas vezes fomos confundidos com mãe e filho... Então veio o Theo e, como bem diz a Roberta do Piscar de Olhos, eu fiquei totalmente monotemática.


Depois de uma avalanche hormonal de ocitocina, prolactina e mais um monte de hormônios inomináveis que fazem a gente chorar em comercial de fralda e arrumar briga com seguranças de Banco, as coisas foram se ajeitando com o Theo e a nossa família! Eu e Big casamos, duas vezes porque né, a gente se ama muito e resolveu casar a prestação pra reafirmar o compromisso. Eu me vesti de noiva, vi o Theo entrar na cerimônia com a minha mãe e o Little Big carregar as alianças! Aí é claro fomos viajar e deixamos o Theo por uma semana aos cuidados da Minha mãe e , quer saber, foi legal pra caramba!

E no meio disso tudo eu esqueci de contar aqui um detalhe importantíssimo dessa trajetória nada mole do meu humilde meia taça 44. Estamos com a guarda de Little Big.

Eu sei que a primeira coisa que as minhas leitoras mães vão falar é: MAS COMO ASSIM PUTAQUEOPARIU ELE NÃO ESTÁ COM A MÃE DELE???

Bom, daí que agora eu vou entrar num assunto delicado e que, sinceramente, até eu que estou vivendo a situação tenho dificuldade de entender...

Porque o Little Big tem uma mãe, certo? Que pariu, amamentou, trocou fralda, enfrentou a separação do namorido, Big, pai do seu filho, resolveu ir embora de São Paulo, depois voltou pois achou que não era justo afastar o filho do pai, e aí eu apareci, e ela no começo desconfiou de mim, mas depois a gente se conheceu e ela viu o tamanho do meu carinho e do meu respeito pelo filho dela, e achou que era hora de também procurar alguém pra dividir a vida e foi aí que apareceu no seu caminho um Canalha. E infelizmente levou dela não só todo o recurso financeiro, mas os sonhos de alguém que já tinha sofrido por demais nessa vida.

Esse parágrafo é só pra resumir (BEM RESUMIDO) o que aconteceu com ela. Mas ia ficar difícil de entender a história sem essa parte importante e eu espero que a Mãe do Little Big não se importe em ser citada aqui.

Acontece que vendo tudo isso acontecer com ela, Big percebeu que Little Big estava enfrentando todos esses desafios também, e passando por situações que ele não precisava passar com 8 anos de idade. Foi aí que ele me perguntou: “ Little Big pode vir morar com a gente?” E eu respondi: “ Claro que Pode” , mas já logo pensei que a mãe dele não ia deixar nem fudendo, porque eu não deixaria! Porque não é o fato da nossa situação econômica ser melhor que vai fazer a vida da criança mais feliz, e porque eu sou mãe né porra, e mãe não tem coragem de ficar longe de filho em hipótese alguma nesse mundo de meu Deus!

Mas o Big é meu parceiro, estava sofrendo por ver Little Big em toda aquela situação e eu tinha que tentar fazer isso por ele. Por eles!

Surpreendentemente (ou não) minha relação com a Mãe do Little Big foi sempre muito boa desde quando a gente se conheceu, pelo simples fato de que a gente se respeita. Eu respeito o passado dela ao lado do cara que hoje é meu marido, e ela respeita o meu presente, ao lado do ex-namorido dela. Evoluídas nós duas né não?

Acontece que por essas e outras ela sempre me escuta muito, a gente conversa e ela leva em consideração o que eu digo a respeito da educação do filho dela, meu enteado. Ela sabe que como ela eu quero o melhor pra ele, sempre.

E fomos lá, Big e eu, conversar com ela sobre a nossa idéia de Little Big vir morar com a gente. Eu falei sobre as escolhas que a gente tem que fazer na vida, que infelizmente ela estava passando por uma fase delicada e que lá em casa Little Big teria toda segurança do mundo pra se desenvolver, ele tem o quarto dele, tem os amigos, tem ótimas escolas lá perto e tem o pai, a madrasta e o irmão. E Big falou que não era justo Little Big sofrer pelos acontecimentos da vida da mãe. E eu já pensei comigo “ Cagou né, agora que ela nunca vai aceitar um troço desses!”

E pra minha surpresa ela disse que Sim, ele podia vir morar com a gente, ela ia estudar, dar um up grade na carreira, e quando se estabilizasse ele voltava a morar com ela.

OI? Como assim? Tá Louca? Bebeu? É seu filho! ÉFE- E-ÉLE-AGÁ-Ó! FILHO!

Juro que eu Choquei!

Como ela ia ficar todo dia sem saber se comeu, se dormiu, se tomou banho, se chorou, se fez lição, sei lá! Eu julguei Mesmo! Sem pudores! Pensei comigo: “ Mas que tipo de mãe aceita numa boa, amigavelmente, não morar mais com o próprio filho?” Bati no peito e jurei que se fosse comigo jamais me separaria do meu filho! E passei uns bons meses pensando assim, que ela era uma mãe relapsa, uma má mãe, uma mãe de merda mesmo! Tive raiva, quis tirar satisfação, sentia pena do Little Big e me sentia pressionada a preencher o papel que na minha cabeça havia sido abandonado!

Até que um dia tive que ir buscar algumas coisas do Little Big na casa dela e tivemos um momento só. Nós duas, de mãe pra mãe. E foi então que ela quebrou todos os meus preconceitos. Me lembro de ver o quão sofrido estava sendo aquela situação através dos olhos dela, no semblante. Ela sofreu demais, foi enganada, perdeu tudo e ficou só. Com um filho que dependia dela. E nesse momento nossa família estendeu a mão e pediu pra cuidar do Little Big e ela sabia que na minha casa o filho dela teria uma família, seria acolhido, teria conforto psicológico e financeiro. Pensando nele, e só nele, ela nos entregou o próprio filho com o coração dilacerado. Se tivesse sido egoísta, pensado só nela, não teria aceitado. Teria rejeitado nossa ajuda e continuado sua luta, com todas as desavenças e necessidades que ela enfrenta hoje e ainda vai enfrentar, obrigando o filho dela a passar por tudo isso junto.

Ela não foi, não é e nunca será uma mãe de merda. Ela é uma mãe de coragem! Que colocou o bem estar de um filho acima de qualquer sentimento próprio. Admiro o que ela fez. E espero de todo o coração estar à altura da confiança que ela depositou em mim. Afinal de contas, a gente não entrega filho da gente na mão de qualquer um.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A mãe e o GPS


Às vezes nós subestimamos a velocidade com a qual uma criança é capaz de ficar traumatizada. Pense na sua infância, ou melhor nos seus traumas de infância e veja quão singelas foram as situações que os causaram.
No meu caso por exemplo, bastou tomar um caldo, seguindo de um rola na saudosa praia da Sununga em Ubatuba (onde caiçaras surfam em "aspirinas", o que é muito legal de se ver quando você não acabou de engolir 6 litros de água salgada e perdeu a parte de cima do bikini na frente dos amigos do seu irmão). Pronto! Trauma de mar.
Depois teve o clássico filme "Conta comigo", no qual uma turma de meninos sai a procura de um outro menino, e na ausência de qualquer adulto responsável acampa no meio do mato, conta histórias de terror nojentas sobre gordos que vomitam, encontram o menino morto na linha do trem e no final, já todos adultos, descobrimos que os amiguinhos morreram e o único que sobrou foi o cara que contava histórias de terror de gosto duvidoso. Fobia de linhas de trem. Outro trauma.

É tão fácil traumatizar uma criança que a gente quase nunca se dá conta.
Como na vez em que Mr. Big tinha que fazer um trabalho da pós, e Little Big e eu voltamos sozinhos da casa de VacaPri. A gente só tinha que atravessar a ponte estaiada (para LB é a ponte Estrelada), achar o estádio do Morumbi e ir pra casa ouvindo Edson Cordeiro cantando Bee Gees (não subestimem o gosto musical de Litle Big). Mas não... Eu não era intelectualmente capaz de achar o caminho de casa após deixar o MEU Big indefeso na casa de VacaPri, a mulher que ligou 12 vezes no celular dele quando soube que nós estávamos namorando. Fora o fato de que chovia granizo, eu estava com o carro do meu cunhado, e Litle Big insistia em pular sobre o câmbio do carro pra por "repeat" no Bee Gees.

Em alguns minutos eu estava perdida. Numa avenida grande, que tinha outra avenida grande do lado nas margens de um rio que começava a transbordar fazendo com que carros e caminhões lançassem cocô nas calçadas. Eu estava perdida, com o carro alheio, no meio da enchente de dejetos de são Paulo com um menino de 7 anos recém completos. E BIG ESTAVA NO APARTAMENTO MA-RA-VI-LHO-SO DA VACAPRI! Ok, nada podia piorar a situação certo? Eraado. Eu entrei em pânico! No fundo acho que foi tudo culpa do edson cordeiro. desliguei o rádio enquanto me perguntava em voz alta "Onde eu tô caralho? Ai meu deus me perdi com Little Big, o Big vai me matar! Tomara que essa água não suba mais. Onde eu tô???????"

Após ouvir todas essas palavras de conforto, Little Big respirou fundo e fez o que seu pai faria. Assumiu o controle da situação!

"marinha, eu sei onde a gente tá, meu tio trabalha aqui ó"- apontando a editora onde trabalha o titio boa pinta. Estávamos na marginal pinheiros. Ótimo, bom começo. Fiz o único caminho que eu sabia. Fui até meu antigo apartamento na Vila Madalena, e voltei pro morumbi. passamos por várias ruas alagadas enquanto eu tentava fazer little Big encarar aquilo como a maior aventura do mundo.

E assim ele ficou traumatizado. Andar de carro comigo é sempre, desde aquele fatídico dia, um momento de pura tensão! Essa semanas voltamos do oculista só nós e o Theo.
A cada minuto ele me dava um boletim visual imitando a careta do Ervilho na caderinha. Se passaram 20 minutos até que Little Big reuniu toda a coragem que um menino de quase 8 anos pode ter e perguntou: Mari, você tá perdida de novo? Porque eu sei onde a gente tá. Tá pertinho da nossa casa tá, não precisa ficar com medo não.

Pronto. E assim eu consegui fazer com que Little Big adquirisse um senso de localização invejável, uma ótima visão periférica além da enorme capacidade de ler placas de ruas e avenidas em São Paulo. Tudo isso vendo pelo lado bom. Do ponto de vista mais realista, serão anos de terapia pra superar o trauma que eu causei.

Portanto se você é mãe, madrasta, tia, tem amigas com filhos ou simplesmente é nó cega no trânsito paulistano em São paulo como eu, não arrisque gata, compre um GPS.

Vale o investimento agora pra não ter que gastar com o analista depois!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Amor de mãe

... Ou minhas margaridas azuis


Sabe, ser mãe é bom pra caralho! É a coisa mais punk-rock que eu já vivi na minha vida, mas eu já tinha tido uma experiência hard core antes. Eu fui mãe antes de o Theo nascer!
Little Big apareceu na minha vida, chutou toda a macumba e plantou margaridinhas azuis no meu quintal! Quem fez nascer a mãe em mim foi ele. Little Big me pariu!
No começo ele teve alguns enjôos, rolou um certo estress, a parada foi tensa, mas com o passar dos meses Little Big sacou qual era sua responsabilidade: Me nutrir pra ser mãe! Com toda propriedade que um menino de 6 anos pode ter.
E assim um belo dia eu acordei pensando em fazer um bolo pra ele, com ele! Saí carregando um casaco, caso ele sentisse frio, e lambuzei a cara dele de protetor solar na praia. Eu era mãe! Contei histórias, cobri na cama, dei beijo de boa noite e bronca pra comer.

Mãe é pra sempre. Filho é pra sempre. E no meu caso, Little Big também é pra sempre, não importa a quantos quilometros de distância ele esteja, as margaridinhas azuis vão continuar no meu quintal.

Porque um dia eu nasci mãe, e foi ele quem me pariu.

Ps: Little Big, sua mãe-torta te ama.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Família do Futuro



Esses dias, na festinha de aniversário de 2 anos do filho de um amigo nosso, (que é um bebê muito parecido com o diabo da tasmânia versão baby dos looney tunnes) aconteceu um negócio comigo que fez pensar no tipo de família modernosa que eu to construindo.

Na festa tinha piscina de bolinha e outras crianças, o que para Little Big é suficiente pra fazer uma balada; tinha cerveja gelada e amigos de longa data , o que para Big pai é suficiente para fazer uma balada; e tinha crepe e os docinhos decorando a mesa do bolo, o que pra mim tem sido suficiente pra fazer uma balada.

Papo vai, papo vem, Litle Big se acabando nas pinturas corporais e na piscina de bolinha, eu me acabando no crepe e Big pai se acabando na cerveja. O retrato de uma família feliz na festinha de criança (quem diria meus caros, já que um ano atrás era assim que eu era recebida em festinhas infantis).

A balada acabou tarde pra todos nós, eu empanturrada, Big pai meio breaco e Little Big sem os tênis, sem o casaco, e sem a mesma cor de pele com os quais havia chegado na festa. Enquanto Big Pai tomava a última cerveja, sai em busca dos Tênnis e do casaco (Tênnis embaixo da mesa do bolo e casaco compondo a decoração da porta da festa – coisas de Little Big) colocando tudo em Little Big que reclama do calor. Eu tentava explicar pra ele que só ele sentia calor porque estava correndo e pulando e produzindo energia, mas que nós estávamos com frio pois estávamos sentindo a temperatura do ambiente (tá legal, a explicação do calor por causa do pula-pula foi bem tosca, mas com criança não adianta tentar explicar muito elaboradamente). Ele acabou cedendo e colocando o casaco e os tênnis enquanto eu dava graças a Deus por poder mandar a roupa suja dele de volta pra Mãe.

Foi quando aconteceu, mais uma vez, o mesmo erro inevitável de quem nos vê nesse tipo de situação. Uma mulher adulta tentando convencer uma criança a colocar os tênis e o casaco só pode ser a mãe! Ou ainda tentando negociar no Supermercado se leva o Danoninho ou o Chamyto Big, só pode ser mãe! Que pede pelo amor de Deus pra o menino não nadar no fundo, e quando ele pergunta o que é fundo inventa uma unidade de medida baseada nas pernas do pai que faz o menino rir pra caramba, entrar na brincadeira e (ufa!) não nadar no fundo, é mãe né cacete!
Não minha gente, hoje em dia temos 1 divórcio pra cada 4 casamentos no Brasil. Isso formalmente, pois ainda não existem dados para as uniões estáveis e respectivas dissoluções. E como eu bem sei, graças ao bom Santo Antônio, meu chapa, os papais e mamães separados não viram celibatários, pelo contrário, eles tendem a começar novos relacionamentos, casar novamente, ter outros filhos... E assim nasce o que chamam por aí de família prisma, diferente da família piramidal tradicional com pai mãe filinhos cachorro e papagaio. Eu prefiro chamar de família do futuro!

Aliás, eu queria mesmo era difundir esse conceito pra todo país pra que situações como as que eu passo com Little Big não voltem a acontecer. Geralmente ele finge que não escuta a Tia desconhecida no supermercado: “Nossa, como seu filho é lindo, é a sua cara” haahahahaha
Ou o salva vidas da Praia: “Acho melhor obedecer sua mãe hein rapaz!”
Nessas horas ele costuma olhar pra mim e me lançar um olhar de missão secreta, do tipo, “Mal sabem eles que você na verdade é minha amigona, a minha Marinha, e não minha mãe”, e eu correspondo com um olhar “Tolinhos” e saímos contentes do recinto zombando da ignorância alheia.
Mas nesse dia da festinha seria diferente, pois Little Big, tanto quanto eu, queria era respeito para com a nossa família do futuro, ora bolas, Mãe é Mãe e Mari é Mari! Eu até tento colocar um pouco de ordem na bagunça, mas não sou mãe, e isso faz toda a diferença.

Assim que o pobre gordinho já meio embriagadado lançou, enquanto eu enfiava o moleton pela cabeça, desarrumando mais ainda o cabelo da criança: “Se preocupa não Little Big, que mãe e tudo igual” Biggzinho repondeu na Lata “Mas ela não é minha mãe!”.
Confesso que há tempos eu esperava ouvir algo do tipo, e suspirava de alívio sempre que a atitude dele era de indiferença com essas reações que a nossa proximidade causa. Já tinha até ficado acostumada a lançar o olhar secreto e sair por cima da situação, mas nesse dia ele resolveu responder e, no duro, a minha primeira reação foi ficar triste pra caramba. Little Big é parte importantíssima da minha vida hoje, e foi quem acendeu em mim o muito de mãezona que nem eu sabia que tinha. Aprendi sobre Pokemons (que segundo ele “involuem”) e sobre o Ominitrix do Ben 10, sobre Play Station e sobre como contar histórias para meninos. Aprendi que se eu disser pra ele que cobras comem ratinhos de “alobatório”, esses ratinhos vão ter óculos de grau e avental. Aprendi a dar bronca na hora da mãnha, aprendi a perdoar a birra, aprendi a beleza que é ver alguém se transformar em irmão, e ter a chance de acompanhar isso pro resto da vida.
Enfim, meio sem querer esse menino acabou significando muita coisa pra mim. Mas mesmo assim, eu não sou mesmo a mãe! E quer saber, foi bom um de nós ter tomado essa atitude, porque logo depois, chegando no carro eu ganhei um abraço todo suado e com a tinta da pintura do batman, enquanto aquele menino esperto olhou pra mim e disse: “Sabe, já tava cansado de confundirem a gente, você não é minha mãe, você é a Minha Mari!” É Little Big, Sou mesmo! E essa é a nossa família do futuro, que daqui uns 3 meses ganha novo integrante!