sexta-feira, 12 de agosto de 2011

PAI

Hoje vamos falar aqui sobre o personagem mais injustiçado da história da maternidade.

O PAI.

Sim! Esse cara que teve uma participação, digamos, FUNDAMENTAL, na confecção do bebê.

O Pai é o cara que estava do lado de fora do banheiro lendo as instruções do exame de farmácia pela vigésima vez enquanto você mijava no palito; o cara que olhou os 2 tracinhos no exame e leu as instruções de novo, dessa vez em inglês e espanhol, porque né, vai que muda!

O Pai, aquele que passa 4 meses desacreditando que exista um 3º passageiro na família, quando no 5º mês surge na esposa uma barriga de um tamanho que jamais ele imaginou possível. O pai é o cara que passa os outros 4 meses conversando com uma barriga, justificando pra barriga porque o berço ainda não chegou, ou comemorando o gol do Corinthians com a barriga.

Pai é aquele que sai correndo quando estoura a bolsa, meio rindo de nervoso, chega no hospital depois de ter violado metade das regras do Código Nacional de Trânsito enquanto conversava com a barriga, tentando convencê-la de não virar um neném enquanto ele não conseguisse levar todo mundo, mãe pai e barriga, sãos e salvos até o hospital.

No hospital o pai não é ninguém, até ser colocado em uma sala onde a mãe sente dor, a barriga sente medo e o Pai sente que vai morrer ali mesmo, ainda bem que ele já está num hospital.

Na hora em que o bebê nasce o Pai acha que a sua função essencial é contar os dedos dos pés e das mãos do bebê, umas 15 vezes, pra se certificar de que está tudo bem (oi?). Outra conhecida função do Pai na maternidade é esclarecer pras enfermeiras que não, ele não está chorando, na verdade ele está com uma irritação no olho, na verdade uma irritação em cada olho... O Pai acaba chamando o gerente do hospital pra reclamar que tem alguma coisa errada com o ar condicionado da maternidade por que não é possível ter tanto olho irritado num lugar só! (E todos os outros pais com olhos marejados e testa colada no vidro do berçário concordam plenamente).

Quando o recém-nascido chega em casa a função do pai é se desesperar enquanto a mãe dá o banho, e segura um neném minúsculo, mole e ensaboado com uma mão só!

Pai é o cara que inventa uma classificação maluca pros cocôs do filho, é aquele que acorda de madrugada assustado e quando dá por si a mãe já levantou, pegou o bebê, amamentou, botou de volta no berço e voltou a dormir!

Ele é o cara que fica no fundo da apresentação de dia dos Pais na escolinha, porque nessas datas comemorativas o ar condicionado da escola tem um problema bem parecido com o da maternidade.

O Pai vai ensinar coisas que você, como mãe, jamais conseguiria! Vai ensinar a levantar sozinho depois de um tombo, a dar o drible da vaca, vai ensinar que homem só chora quando o ar condicionado está desregulado.

E um dia esse Pai vai dormir, e quando acordar aquele bebê, que andava a passos bêbados, se tornou um jovem, cheio do frescor, da vontade e da certeza de ter super-poderes que é essencial a todo o jovem! E esse Jovem vai olhar pro Pai e dizer “ Tchau”. Dessa vez tchau mesmo, não como das outras vezes em que esse tchau significou um “até mais tarde”, vai ser um “tchau adeus”.

E o Pai vai ser o cara que vai continuar lá, reclamando do ar condicionado, com lágrimas nos olhos, desejando com todas as forças de seu corpo que tenha conversado o suficiente com a barriga, com o bebê, com o menino enquanto foi tempo. E desejando também que ele tenha aprendido o drible da vaca e tenha virado um verdadeiro Corinthiano.

Uma homenagem aos melhores pais do mundo, cada um do seu jeito, mas ambos meus heróis.

Para o meu Pai, Dodô, que leu comigo toda a coleção do Monteiro Lobato e sempre me contava uma piada nova no jantar. Pai, eu diria que o culpado por este blog é você.

E Para o meu marido, BIG, um Pai como poucos, que conversou com a barriga, comemorou gol com ela, e vive reclamando do ar condicionado. Quero deixar claro que quando você piscar e perceber que os meninos cresceram eu vou estar lá, mais eu vou chorar de verdade, não vou reclamar do ar condicionado.




10 comentários:

Tati disse...

Soooooooooool...que lindoooooo!!!!!
Quero saber qdo vamos marcar um café para pensar no nosso livro. É sério.
Beijos,
Tati

Luana disse...

ai... Que texto lindo! Tenho tantas saudades do meu pai... Aquele que vinha todos os meus aniversários me desejar parabéns e dizer que me amava e saia logo correndo, porque sabe, não tinha ar condicionado pra ele botar a culpa.
Também foi aquele que me ensinou a jogar basquete e que me disse que tirar 10 nas provas não era mais do que a minha obrigação.
Meus olhos estão cheios de lagrimas

Sol! disse...

Ai luana, Pai tbm só muda de endereço! hehehehe o Meu fez tudo isso aí (tirando a parte do basquete e substituindo por xadrez)

Tati, vou te adicionar no Face, pode? E a gente marca de se encontrar???

Bjos

Lele disse...

Nossa, adorei!!!
Fiquei emocionada!
Feliz dia dos pais por aí!
bjs

Tati disse...

Claro que sim,Sol... me adicione!!
Beijos,
Tati

Juliana Contezini disse...

ai que lindo !!!! amei e me emocionei !!!

Lailah disse...

Amei!!!!! bjos

Flávia A. disse...

Ounnn,mto lindo! =)


(e mto verdade, meu pai falou mil vezes que a primeira coisa que fez foi contar os meus dedos todos! hAIUHAiuhAIUHIuahuiA, que fixação,né!)

Patricia Pio disse...

ahunnn, esse ar condicionado daqui de casa deve de tá com problema tbm, rsrsrsrs, adoro seus posts....bjs nos meninos e feliz dia dos pais aí tbm...

Juliana Rachel disse...

Droga!!! Nem tenho ar condicionado em casa pra reclamar.. acho que é o vento sudoeste que está entrando pela janela..
Amei o post